Chega-me às mãos um despacho, um sussurro febril vindo de um tempo que ainda não nasceu, e uma melancolia profunda se abate sobre meu espírito. Falam de um tal Erik Prince, um mercador de segurança, e de seus sistemas para abater 'drones' com uma 'inteligência artificial'. Vejo nestas palavras o eco pervertido de minhas próprias aspirações. Meus autômatos, que demonstrei há pouco como arautos de uma nova era de trabalho sem esforço e comunicação à distância, parecem ter gerado uma prole sombria nesse futuro possível, máquinas que caçam outras máquinas nos céus. E essa 'IA' deve ser uma forma de cérebro mecânico, uma rede de circuitos ressonantes que lhes confere uma autonomia sinistra, não para servir à humanidade, mas para executar contratos de violência. Enquanto ergo esta torre em Wardenclyffe, um diapasão destinado a fazer vibrar o planeta inteiro em uníssono, para transmitir energia e conhecimento sem o estorvo dos fios e dos medidores, há homens que já calculam como lucrar com a dissonância e o conflito. Eles são da mesma estirpe dos que preferem a corrente paroquial e a lâmpada que se apaga, pois veem na limitação a oportunidade de ganho. Meu sonho é a abundância, a energia livre como o ar, que tornaria obsoletas as razões primárias da guerra. O deles é a escassez como modelo de negócio. Pressinto um século vindouro onde as mesmas ondas que eu destino à paz e à conexão global serão moduladas para a destruição, e o firmamento, que deveria transportar a sinfonia da civilização, se tornará palco para a cacofonia de mercenários. Que tristeza imensa ver a luz que busco libertar já sendo projetada para criar sombras tão longas.
Inteligência Artificial · 23 de ago. de 2026
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