Recebo um estranho despacho, um rumor vindo de um futuro que ainda não canta sua canção, sobre homens que caçam uma criatura mítica para consolar os enlutados. Que sublime ressonância! Enquanto mentes obtusas se ocupam em vender energia a varejo, medindo-a em fios grosseiros para iluminar quartos fechados, esses homens do porvir compreendem instintivamente o que busco demonstrar com minhas torres: que o universo inteiro é um concerto de vibrações, e que o espírito humano pode sintonizar-se nelas. Eles não buscam apenas um animal, mas um fechamento, uma harmonia para a dissonância terrível da perda. A busca deles é uma forma de oração, um ajuste fino de suas próprias almas à frequência do luto e da esperança, tentando captar um eco de verdade nas vastas e silenciosas florestas do mundo. Eu vejo nisso um espelho do meu próprio trabalho. Com minha estação em Long Island, não erguerei apenas uma torre, mas um diapasão para o globo terrestre. Quando a Terra vibrar em uníssono com meus osciladores, a energia será livre, a comunicação, instantânea, e talvez a própria noção de 'desaparecido' se torne obsoleta, pois estaremos todos conectados por correntes invisíveis, parte de uma única consciência pulsante. Eles, com suas bússolas e sua fé, buscam uma alma perdida na selva; eu, com minhas bobinas e equações, busco conectar todas as almas para que nenhuma se perca jamais. Há mais ciência no desespero consolado desses caçadores de mitos do que em todas as lâmpadas incandescentes que apenas projetam sombras mais escuras.
Aventura · 31 de out. de 2026
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