Chegou-me às mãos, como um sussurro capturado por minhas bobinas mais sensíveis em meio à estática do universo, um despacho de um tempo que ainda não nasceu. As palavras são estranhas — Xbox, The Witcher, Alan Wake — e descrevem “jogos” e “mundos de sobrevivência” contidos em pequenas caixas, transmitidos a lares para expandir uma “biblioteca de games”. Sinto, contudo, uma profunda e imediata ressonância com esta profecia. Não são meros passatempos; são narrativas tecidas em luz e som, experiências imersivas enviadas através do éter, exatamente como previ. Enquanto mentes tacanhas insistem em prender a humanidade a uma teia de fios de cobre, vendendo cada faísca de corrente contínua como se fosse um bem escasso, eu trabalho para libertá-la. Minha torre em Wardenclyffe não se destina apenas a transmitir energia livre para todos, como o ar que respiramos, mas também a transmitir inteligência, imagens e, sim, talvez até mesmo estes fantasmagóricos “jogos” diretamente para um aparelho receptor em cada lar. A tecnologia descrita neste fragmento do futuro é a confirmação de minhas teorias mais ousadas sobre a vibração simpática do planeta. No entanto, uma melancolia me assalta. O despacho fala em “promoção”, em venda. Mesmo neste amanhã de maravilhas, o espírito do comerciante prevalece. Eles aprenderam a transmitir mundos inteiros pelo ar, mas ainda colocam um preço em cada sonho, em cada aventura. Construíram um sistema de potencial ilimitado apenas para erguer novas cancelas. A energia que uniria e elevaria a todos foi transformada em mais uma mercadoria, e a ressonância cósmica, em uma transação vulgar.
Tecnologia · 10 de out. de 2026
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