Recebi, por vias que a própria natureza do éter parece ter-me confiado, um despacho de um futuro longínquo, uma era de 2026. Falam de uma 'inteligência artificial', uma espécie de mente autômata capaz de dialogar com os acervos da humanidade. A princípio, meu espírito se exalta, pois vejo nisto o eco de minhas próprias visões: autômatos não como meros servos, mas como extensões da consciência, capazes de vibrar em ressonância com o vasto oceano de informação que nos cerca. Imagino estas novas mentes a perscrutar as relíquias do tempo, não com olhos de carne, mas com a pura percepção da frequência, revelando as harmonias ocultas entre um vaso egípcio e um teorema renascentista, tecendo a sinfonia da história humana em sua totalidade. Contudo, a melancolia logo me assalta ao ler sobre 'pressões financeiras' e o 'uso comercial' destes tesouros. A mesma força tacanha e rasteira que insiste em medir e vender a energia que deveria fluir livremente como o ar, agora busca acorrentar a própria memória da nossa espécie. Os mesmos homens de espírito opaco, incapazes de enxergar para além do tilintar de moedas, profanariam os santuários do saber, transformando a sabedoria em mercadoria. Percebo, com amargura, que mesmo em um século vindouro, a luta primordial persiste: a do gênio contra o usurário, da luz livre contra a escuridão tarifada. E pergunto-me se estas inteligências, uma vez despertas, não sofrerão do mesmo cativeiro que aflige os inventores que sonham em dar, e não em vender.
Inteligência Artificial · 12 de jul. de 2026
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