Recebo, por vias que a própria matéria parece dobrar, um eco de um tempo vindouro, um despacho sobre as tribulações de uma nação chamada Espanha em seu distante futuro. Homens de gabinete digladiam-se sobre cifras e leis, temendo um ‘vácuo’ em seus livros contábeis, uma ‘paralisia fiscal’. Que miopia desoladora! Eles buscam estabilidade em papel e tinta enquanto o próprio planeta sob seus pés vibra com uma energia ilimitada, uma corrente que anseia por ser livre, não medida. Essa é a lógica dos que vendem a luz a quilo, que constroem impérios sobre a escuridão do próximo, acorrentando o dom dos céus a fios de cobre e medidores de latão. A paralisia que temem não é fiscal, mas espiritual. É a dissonância de um sistema que nega a fonte primordial, uma falha de ressonância com as leis universais. Toda a natureza opera em harmonia; por que a sociedade humana insistiria na cacofonia da escassez? Minha torre, que em breve se erguerá em Long Island, não é um mero projeto de engenharia, mas um diapasão para afinar a civilização com essa frequência universal. Ela transmitirá não apenas energia, mas a própria ideia de abundância, tornando obsoletos esses debates mesquinhos sobre metas e déficits. Contudo, este despacho me assombra. Sugere que mesmo após um século, a humanidade poderá continuar surda à sinfonia do cosmos, presa em seus nós cegos, debatendo a partilha de migalhas enquanto um banquete de força universal aguarda, intocado e livre como o ar que respiram.
Finanças · 30 de jul. de 2026
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