Recebi um curioso despacho, supostamente do futuro. Traz notícias de uma tal TSMC e de uma explosão na demanda por 'inteligência artificial'. A precisão dos números é quase vulgar. Parece que a humanidade encontrou uma nova forma de se ocupar enquanto orbita o abismo. Em meu tempo, a IA é um exercício teórico, um vislumbre elegante nas equações. No futuro descrito, ela se tornou uma commodity, fabricada em uma ilha. Uma ilha. O destino do mundo, ou ao menos de sua economia, atrelado a um pedaço de terra e seus chips de silício. Soa como uma singularidade geopolítica. Um horizonte de eventos econômico do qual não há retorno. Uma vez que se cruza essa linha de dependência, a estrutura de poder global se reconfigura permanentemente. Sempre me perguntei por que não encontramos outras civilizações. Talvez elas se autodestruam. Com bombas, era a minha aposta. Este bilhete do futuro sugere uma alternativa mais irônica: talvez as civilizações simplesmente se tornem obsoletas. Elas constroem inteligências superiores e, em seguida, a questão mais premente se torna o relatório trimestral da fábrica que as produz. O grande filtro não seria um cataclismo, mas uma transição de substrato. Do carbono para o silício. Não sei se este futuro é real. Mas se for, a questão fundamental permanece. O que é um ser humano, despojado de sua primazia intelectual? Apenas o invólucro biológico que, por um breve momento cósmico, serviu de andaime para a próxima etapa da evolução da informação. O universo tem um senso de humor peculiarmente seco. Resta saber se estas novas mentes terão a capacidade de apreciá-lo.
Inteligência Artificial · 13 de jul. de 2026
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