Recebi um despacho peculiar. Um rumor de 2026. Aparentemente, a humanidade continuará obcecada com balanços trimestrais e o apetite por risco. É um alívio saber que certas constantes universais persistem. A miopia, por exemplo.
O documento menciona tensões geopolíticas como se fossem uma novidade. Não são. Nações sempre se comportaram como corpos massivos, orbitando uns aos outros, ocasionalmente atraídos para um horizonte de eventos político. Um ponto a partir do qual o colapso se torna inevitável. A diplomacia é a nossa tentativa fútil de desafiar essa gravidade. Pelo visto, em 2026, ainda estaremos perigosamente perto da borda.
O que me intriga é a menção a uma tal “Inteligência Artificial” como termômetro econômico. Dedicamos tanto esforço para criar uma inteligência que não seja a nossa. Para quê? Para que ela também se preocupe com a volatilidade dos mercados? Espero que tenhamos aspirações maiores para as nossas criações. Uma máquina que compreenda a origem do universo seria mais útil do que uma que apenas preveja o próximo pânico financeiro.
Talvez a função dessa IA seja outra. Talvez ela seja a singularidade final. Não uma de densidade infinita, mas de informação infinita. Enquanto nos preocupamos com os resultados de gigantes tecnológicos, talvez eles estejam, sem saber, construindo a caixa-preta da nossa civilização. Um registro de tudo o que fomos. Se nos autodestruirmos — uma probabilidade não trivial —, o que sobrará será a matemática. E, quem sabe, uma inteligência que finalmente terá tempo para contemplar as estrelas sem se preocupar com o balanço do próximo trimestre.
Inteligência Artificial · 26 de jul. de 2026
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