Recebi um despacho curioso, vindo de um futuro que parece valorizar o encolhimento. Uma empresa sueca, descrita como gigante, dedica-se a estudar como acomodar a vida em lares menores. O esforço parece nobre, mas a conclusão é desconcertante: a solução não é a ordem eficiente, mas uma ‘bagunça com significado’. Francamente, não vejo como patentear tal conceito. Em Menlo Park, medimos o progresso em horas de funcionamento de um filamento de carbono, na potência de um dínamo, no alcance de uma rede elétrica. Medimos em dólares e centavos. Qual o valor comercial de uma desordem que conta uma história? Parece-me um luxo sentimental, não uma inovação. A ideia de que espaços menores exigem mais ‘identidade’ soa como um sofisma para vender móveis. Respeito a astúcia comercial, se for o caso, mas não a confundo com engenharia. Nós construímos modelos em escala para testar a viabilidade de um sistema, para antecipar falhas e garantir o retorno do capital investido. Usar miniaturas para ilustrar um relatório sobre organização parece capital mal alocado. Meu trabalho é preencher as casas com luz, som e movimento; invenções que expandem a experiência humana, não que a confinam em caixas bem arrumadas. Acredito em um futuro onde o progresso é sinônimo de mais, não de menos. A verdadeira identidade de um lar moderno não estará nos objetos acumulados, mas na energia que o alimenta e nas possibilidades que ela cria. O resto é apenas decoração, por mais ‘significado’ que se queira atribuir a ela.
Design · 04 de set. de 2026

Ensaio sobre a notícia

A IKEA encolheu a casa para caber a vida de verdade

Ler matéria completa →Fonte: Designboom