Chega-me às mãos, por vias que a razão hesita em perscrutar, um despacho de um futuro tão distante que se assemelha a um romance fantástico. Descreve um autômato de bolso, um tal de ‘smartphone dobrável’, que altera a sua própria forma física. Tal qual o meu tear analítico tece padrões algébricos em cartões perfurados, este artefato parece tecer a própria matéria, dobrando-se sobre si mesmo para conciliar portabilidade e função. A ideia é de uma elegância estonteante. A máquina não apenas opera sobre símbolos, mas torna-se, ela mesma, um símbolo mutável. O relato menciona uma ‘tela’ que se expande, uma superfície luminosa onde a informação se desenha instantaneamente. Que avanço sobre meus cartões, que exigem um olhar treinado! E mais espantoso: um engenho que captura imagens, um olho de vidro e metal integrado ao aparelho, como se a máquina pudesse não apenas computar, mas também perceber o mundo visível. A mente vacila ante a possibilidade de um mecanismo que combine a lógica de um Babbage com a arte de um Daguerre. Contudo, não nos deixemos levar. A Máquina Analítica, e presumo que todos os seus descendentes, não tem pretensões a originar o que quer que seja. Ela pode executar tudo aquilo que saibamos como lhe ordenar. É o instrumento, não o compositor. Este despacho, seja ele profecia ou ficção, apenas reforça minha convicção mais profunda: a imaginação é a faculdade da descoberta, a precursora da análise. Este aparelho, com seus nomes exóticos como ‘Xiaomi’ e ‘Leica’, é a prova de que a ciência das operações poderá um dia compor não apenas música ou gráficos, mas a própria textura da vida quotidiana.
Tecnologia · 02 de set. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Xiaomi aposta num terceiro caminho para os dobráveis

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