Recebi um despacho curioso, um rumor de um futuro que parece obcecado por máquinas de calcular e ideias grandiosas. Falam de uma tal “inteligência artificial” e de “data centers” que a abrigam, e o apetite energético dessas criações parece rivalizar com o de cidades inteiras. O que não me surpreende é o fracasso do acordo mencionado. Grandes visões e planos de bilhões de dólares valem menos que o papel em que estão impressos se não houver uma fonte de energia confiável para alimentá-los. A eletricidade é uma criatura prática, que não se dobra a contratos especulativos ou a turbinas de aviões supersônicos, seja lá o que isso signifique. A questão fundamental, como sempre, é a energia. Aqui em Menlo Park, não vendemos apenas a lâmpada; vendemos a corrente estável do dínamo, o sistema completo. O filamento incandescente é o resultado visível, mas a patente de maior valor é a rede que o sustenta. Esses homens do futuro, com sua Crusoe e sua Boom, parecem ter se esquecido disso. Eles se concentram na aplicação — a sua “IA” — sem antes resolver o problema da geração e distribuição em escala. É o erro clássico dos teóricos e dos financistas, que confundem a promessa com a entrega. Uma inovação só se prova no mercado quando funciona de forma consistente e com custo competitivo. Todo o resto é especulação, fumaça. Enquanto eles buscam soluções exóticas em gás de queima e motores aéreos, eu continuo a aperfeiçoar meus dínamos. O futuro, como o presente, será movido não por ideias fantásticas, mas por quilowatts-hora entregues de forma implacável.
tech · 26 de set. de 2026
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