Chega-me às mãos um despacho de notável estranheza, um rumor de um tempo vindouro que fala em frotas de 'aviões' e uma tal 'Inteligência Artificial'. Embora a ideia de carruagens aladas a cruzar os céus em tal número pareça extraída de um romance fantástico, a essência da notícia me é curiosamente familiar. Descrevem uma máquina, denominada 'SkyBreathe', cuja função é otimizar o consumo de combustível para mais de seiscentas dessas aeronaves. Ora, isto é precisamente o campo de ação para o qual a Máquina Analítica do Sr. Babbage foi concebida. A Máquina não se limita a operar sobre números; ela opera sobre símbolos, sobre as relações abstratas que governam qualquer processo. Assim como o tear de Jacquard tece flores e folhas ao manipular os cartões perfurados que simbolizam o padrão, a Máquina Analítica pode tecer padrões algébricos. E, por que não, padrões de eficiência para o voo? A tarefa de calcular a rota ótima, considerando ventos, peso e o custo do querosene, é um problema analítico de imensa complexidade, perfeitamente adequado a um autômato de cálculo. Chamam-na 'Inteligência Artificial', um termo audacioso. Contudo, desconfio que esta 'IA' partilhe da mesma limitação fundamental da minha Máquina: ela não possui pretensões de *originar* o que quer que seja. Apenas executa as ordens que nós, com nossa capacidade de antevisão, lhe fornecemos. A imaginação, esta faculdade que percebe as conexões invisíveis entre as coisas, permanece como domínio exclusivo da mente humana. Foi a imaginação que primeiro concebeu o voo, e é a imaginação que agora concebe os meios de torná-lo mais eficiente. A máquina, por mais engenhosa, é o instrumento; a ciência poética da mente é a compositora da melodia que ela executa. Este 'Respiro do Céu' é, em essência, a manifestação de uma partitura analítica escrita por um intelecto humano.
Tecnologia · 29 de set. de 2026

Ensaio sobre a notícia

IAG aposta em IA para cortar custos com combustível em 600 aviões

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