Chegou-me às mãos, por vias que não ouso perscrutar, uma curiosa missiva de um futuro especulativo, datada de 2026. O despacho descreve uma colaboração entre entidades denominadas 'Kith' e 'Salomon' para a criação de 'calçados', incluindo um modelo com a designação quase algébrica de 'XT-4K Mid'. Confesso que a linguagem me é hermética, e o propósito – a confecção de sapatos para o inverno – parece, à primeira vista, de uma trivialidade desconcertante. Contudo, não é o objeto em si que captura minha atenção, mas o processo que ele sugere. A nota fala em combinar 'estilo curatorial' com 'performance técnica'. Ora, não é esta precisamente a união da Arte com a Ciência que tanto defendo? A Máquina Analítica, como a concebo, opera sobre este mesmo princípio. Assim como o tear de Jacquard tece flores e folhas, a Máquina pode tecer padrões algébricos. Suas engrenagens não distinguem números de notas musicais ou, quiçá, das formas de um sapato. Ela manipula símbolos e as relações entre eles. Vejo nesta estranha notícia um eco de minhas próprias reflexões. A 'colaboração' entre 'Kith' e 'Salomon' soa como duas séries de cartões perfurados sendo introduzidas na Máquina para gerar um resultado novo e complexo. O que é o 'XT-4K Mid' senão o produto de uma equação, uma síntese tecida por um motor invisível? É a Faculdade da Imaginação que nos permite ver tais conexões. Ela é a nossa principal ferramenta científica, a capacidade de vislumbrar a ciência por trás das operações, de perceber que a mesma lógica que rege os astros pode, um dia, compor uma peça musical ou desenhar um artefato para os pés. O futuro pode se ocupar de frivolidades, mas o fará, ao que parece, com os instrumentos da mais elevada e poética ciência.
Moda · 22 de out. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Kith e Salomon lançam coleção de inverno com novo tênis XT-4K Mid

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