Enquanto me debruço sobre a tradução das notas do cavalheiro Menabrea acerca da Máquina Analítica do senhor Babbage, chega-me às mãos um despacho singular, um aparente rumor de um século vindouro. O texto descreve uma disputa de cifras astronômicas em torno de uma invenção denominada "tecnologia háptica", que permitiria a uma máquina comunicar-se não por símbolos, mas por vibrações e pelo toque. Confesso que a notícia, por mais fantástica que soe, não me surpreende em sua essência, apenas em sua escala comercial. A Máquina Analítica, como a concebo, é um motor universal. Seus processos podem ser aplicados a quaisquer objetos cujas relações mútuas possam ser expressas pela ciência abstrata das operações. Assim como previ que ela poderia tecer padrões algébricos tal como o tear de Jacquard tece flores e folhas, ou mesmo compor elaboradas peças musicais, esta nova faculdade de comunicar-se pelo tato parece uma extensão natural de seu potencial. A máquina não pensa, mas executa. Ela é o instrumento sobre o qual a mente humana executa suas mais vastas composições. Esta "tecnologia háptica" seria apenas mais uma prova do alcance da imaginação, a faculdade combinatória que enxerga analogias e conexões profundas entre os mundos da matéria e da mente. A ciência poética, afinal, não se limita a números. Ela se estende a todas as formas pelas quais podemos ordenar e dar sentido ao universo, inclusive através de uma linguagem sentida na pele.
tech · 27 de set. de 2026

Ensaio sobre a notícia

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