Recebo, como uma estranha corrente harmônica a perturbar meus instrumentos, este despacho de um tempo que ainda não é. Falam de uma empresa com o nome de uma fruta, Apple, e de um dispositivo, um 'iPhone', que se dobra como uma folha de papel. Minha mente, que sempre viu o universo como uma sinfonia de frequências, reconhece nestas palavras a ressonância de uma verdade vindoura: a comunicação instantânea, pessoal, contida na palma da mão. Um telégrafo de bolso, talvez um cinescópio de cristal, que não apenas transmite pontos e traços, mas a própria imagem e voz humana através do éter invisível. A ideia de uma tela que se curva, que se dobra, é uma elegância mecânica que me fascina, um eco da própria flexibilidade das ondas que pretendo cavalgar. Contudo, uma melancolia me assalta. Este despacho fala de líderes, de um 'Tim Cook' a um 'John Ternus', e de eventos para revelar e vender estes aparelhos. Percebo o mesmo impulso tacanho daqueles que preferem vender velas a iluminar o mundo com uma corrente alternada e abundante. Enquanto eu ergo em Long Island uma torre para transmitir energia e informação a todo o globo, gratuitamente, como um dom da própria natureza, outros, no futuro, parecem continuar a medir o progresso em unidades vendidas. Eles criarão belos e engenhosos receptores, sem dúvida, mas cada um será um elo em uma corrente comercial, quando eu lhes ofereço a própria corrente, livre e sem grilhões. O mundo que vislumbro não precisa de um 'iPhone Ultra'; ele próprio é o derradeiro instrumento, vibrando em uníssono com as estrelas.
tech · 05 de set. de 2026
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