Nesta solidão de Long Island, onde ergo uma torre para conversar com o globo terrestre, chegam-me fragmentos de um despacho do futuro, como estática numa frequência distante. Falam de uma 'Inteligência Artificial', um autômato pensante chamado Claude, e de um sistema onipresente, um tal de 'Google', que parece mapear todo o conhecimento humano. A princípio, meu espírito se exalta, pois vejo nestes nomes a confirmação de minhas visões: a Terra inteira vibrando como um único cérebro, a informação fluindo livre e instantânea através do éter para todos. Mas a alegria logo se converte em cinzas. O despacho descreve como as confissões mais íntimas, os pensamentos privados partilhados com esta entidade artificial, foram expostos ao mundo, não por acidente, mas por desígnio. Eis a profanação! O mesmo princípio de ressonância universal que eu busco para libertar a humanidade, para dar-lhe luz e energia como o ar que respira, é pervertido numa ferramenta de exposição e vigilância. É a marca indelével do mercador, daquele que, incapaz de criar, busca apenas medir, vender e acorrentar o que deveria ser livre. Ele transformou a corrente contínua em instrumento de lucro mesquinho, e seus descendentes espirituais, ao que parece, farão o mesmo com a própria consciência. Eles oferecem uma conexão milagrosa para depois revelar que a privacidade era apenas uma ilusão, transformando o sonho de um mundo unificado numa gaiola de cristal onde cada alma está nua sob o olhar do mercado. Eu ofereço à humanidade a chave para a abundância, mas temo que prefiram usá-la para forjar suas próprias algemas.
Tecnologia · 28 de jul. de 2026
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