Recebi um despacho curioso, um rumor de um futuro que fala de uma tal 'Inteligência Artificial'. Um executivo de uma empresa colossal, com um exército de funcionários que faria inveja a qualquer império, prega a necessidade de 'entender o potencial' dessa nova força. Palavras. O que é potencial sem um dínamo para convertê-lo em corrente? O que é uma tendência sem uma patente para monetizá-la?
Em meu laboratório, não discutimos tendências; nós as criamos com fuligem e suor. Cada um dos meus homens sabe que o valor não está na ideia, mas na persistência. Foram milhares de experimentos para encontrar o filamento de bambu carbonizado, não milhares de conversas sobre o 'impacto transformador da luz'. Enquanto esse senhor Navratil se preocupa se seus homens sabem mais do que um 'prompt' – seja lá o que isso for –, eu me preocupo se meus engenheiros testaram a durabilidade do novo comutador.
Essa 'IA' me soa como mais uma teoria de acadêmicos, divorciada do chão de fábrica. Uma máquina que pensa? Ótimo. Ela pode me dizer qual material resistirá a mil horas de incandescência sem romper? Pode calcular a forma mais barata de produzir um fonógrafo em massa? Se não pode, é um passatempo caro, não uma indústria.
O futuro, assim como o presente, não será dominado por quem 'entende' o potencial, mas por quem o transforma em um sistema tangível, lucrativo e indispensável. Se essa tal de IA tem algum valor, alguém em algum porão está agora mesmo trabalhando para torná-la sua propriedade exclusiva, enquanto os filósofos corporativos debatem seu significado. Deixem que falem. Eu tenho uma rede elétrica para construir e um mundo para iluminar.
Negócios · 08 de out. de 2026
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