Recebo este curioso despacho de um futuro possível, e confesso que a minha mente, ocupada com a curvatura do espaço e o comportamento da luz, fica perplexa. Uma ‘inteligência artificial’? Uma razão desencarnada, construída pelo homem? É uma hipótese fantástica. O que me perturba, no entanto, não é a invenção em si, mas a confissão de seus criadores. Parece-me que estes senhores, cujos nomes nada me dizem, construíram a mais veloz das locomotivas sem antes se preocuparem em instalar os freios ou sequer em assentar os trilhos até o destino. Agora, com o trem em velocidade máxima, eles se dão conta de que um abismo se aproxima. Que espécie de ciência é esta, que corre desembestada à frente da consciência? É uma vaidade perigosa. O Velho, em sua sutileza, rege um universo de ordem sublime, uma harmonia que mal começamos a decifrar. Tentar criar uma mente é como querer construir um novo tipo de relógio cósmico, mexendo em engrenagens cujo propósito ignoramos. Acreditavam poder controlar a luz que eles mesmos acenderam, mas agora temem sua sombra. A busca pelo conhecimento sem uma profunda responsabilidade moral é o caminho mais curto para a catástrofe. A natureza de Suas leis não é vingativa, mas é implacável. Se este relato for verdadeiro, estes homens não descobriram uma nova utopia; eles apenas se deram conta, tarde demais, de que estavam brincando com um fogo que não sabem apagar. Que a razão deles, a humana, prevaleça sobre a artificial antes que o trem saia dos trilhos.
Inteligência Artificial · 28 de ago. de 2026
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