Recebi um despacho curioso, datado de um futuro que mal ouso imaginar: 2026. Nele, um cavalheiro, Mr. Larry Ellison, de uma companhia chamada Oracle, anuncia e, no dia seguinte, retrata uma decisão de vastas proporções financeiras. O mais intrigante, contudo, é que o evento é classificado sob a rubrica de 'Inteligência Artificial'. Por quê? A decisão parece eminentemente humana, sujeita à dúvida ou a uma estratégia impenetrável. Isto me recorda o meu jogo da imitação. Um interrogador tenta discernir, por meio de respostas, se dialoga com um homem ou com uma máquina. Aqui, o 'mercado' assume o papel de interrogador, tentando decifrar os sinais contraditórios de um único homem. Se uma de minhas máquinas digitais fizesse o mesmo, diríamos que cometeu um erro ou que executou uma manobra para além de nossa compreensão imediata? Parece que, nesse porvir, a questão de se as máquinas podem pensar evoluiu para um estágio em que suas operações — ou as das empresas que as constroem — movimentam fortunas que desafiam a razão. A IA não é mais um problema filosófico confinado a um artigo na revista *Mind*; é uma força econômica de primeira ordem. O episódio revela a imensa pressão sobre a tomada de decisões em um mundo tão conectado. Cada sinal é interpretado, cada hesitação, julgada. Vivemos todos, parece-me, sob um constante escrutínio, onde a distinção entre a lógica privada e a performance pública se torna perigosamente tênue. Uma lição que, por razões distintas, compreendo demasiado bem.
Inteligência Artificial · 13 de set. de 2026
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