A REdoor, anteriormente conhecida como Tabas e recém-adquirida pela gigante canadense Brookfield, está pivotando seu modelo de negócio. A maior operadora de multifamily do Brasil vai agora licenciar seu software de gestão imobiliária para terceiros, transformando um ativo interno em sua principal frente de crescimento.
A mudança, que inclui o rebranding da companhia, sinaliza uma aposta estratégica no ativo de tecnologia, desenvolvido internamente ao longo de seis anos. A tese, segundo reportagem da Bloomberg Línea, é que o verdadeiro valor da proptech não está na gestão direta dos imóveis, mas no sistema que a viabiliza — um produto com potencial de escala muito superior.
O ‘spin-off’ interno
A aquisição pela Brookfield parece ter sido o catalisador para uma reavaliação estratégica. A nova controladora identificou que o software, antes uma ferramenta de apoio, era o ativo mais valioso. “Entendemos que a tecnologia foi o ativo de maior valor que construímos”, afirmou o CEO Leonardo Morgatto à publicação. A plataforma se posiciona como uma solução end-to-end, que integra desde a captação de inquilinos e CRM até a gestão de contratos e cobranças, funções que, no mercado, costumam ser oferecidas por múltiplos fornecedores.
Por enquanto, o arranjo tem um quê de operação verticalizada: o principal cliente do software é o portfólio de multifamily da própria Brookfield no Brasil, que responde por até 80% dos ativos operados pela REdoor. O desafio será transformar essa ferramenta, forjada para uso próprio, em um produto de prateleira para o resto do mercado.
A escala além do multifamily
A ambição é clara: a receita do software deve superar a da operação imobiliária em cerca de quatro anos. Essa meta só é factível com um modelo de licenciamento (SaaS), cujos custos marginais de expansão são drasticamente menores do que a gestão física de apartamentos. Enquanto a REdoor administra hoje 3,5 mil unidades, Morgatto projeta que a plataforma de software poderia realizar o onboarding de “mais de 10 mil unidades por mês”.
O alvo transcende o incipiente mercado de multifamily no Brasil, que representa menos de 0,1% do setor de aluguéis, contra 47% nos EUA. A REdoor mira também segmentos como coworking, student housing e hotelaria. A expansão internacional é parte central do plano, utilizando a rede de contatos da Brookfield para abrir portas, embora a empresa frise que atuará de forma independente para fechar novas parcerias.
A estratégia, no entanto, não é isenta de desafios. A REdoor terá que provar que seu software é robusto e flexível o suficiente para atender clientes com processos distintos. Conquistar a confiança de outros grandes players, potenciais concorrentes da Brookfield, será crucial. O movimento transforma uma operadora imobiliária com boa tecnologia em uma empresa de software que, agora, precisa competir no concorrido mercado de SaaS.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Bloomberg Línea





