A LALIGA, principal liga de futebol da Espanha, publicou a primeira edição de seu observatório anual de tecnologia, o "Tech Powerhouse 2026". O relatório, elaborado em parceria com a consultoria 380AMK, é fruto de uma extensa pesquisa que incluiu a análise de mais de 50 estudos setoriais e entrevistas com 22 especialistas, segundo a Forbes España.
O movimento não é apenas um exercício de futurologia, mas a consolidação de uma estratégia de mais de uma década. A LALIGA busca se posicionar não apenas como uma competição esportiva, mas como uma potência tecnológica que desenvolve, controla e exporta suas próprias soluções de dados e inteligência artificial. A tese é clara: o futuro do futebol será definido tanto no campo quanto no controle da infraestrutura digital que o cerca.
Do consumo à criação de tecnologia
O relatório detalha tendências que já moldam a indústria, como o uso de IA para automatizar processos complexos, a criação de "gêmeos digitais" para otimizar da performance de atletas à gestão de estádios, e a hiperpersonalização da experiência do torcedor. Contudo, o ponto central da estratégia da LALIGA é a busca pela "soberania tecnológica". Em vez de depender de fornecedores externos, a liga investiu na criação de um ecossistema próprio.
Isso se materializa na Sportian, uma joint venture com a gigante de tecnologia Globant, criada para comercializar as ferramentas desenvolvidas internamente, como as plataformas Sportian Performance e Calendar Selector. A mensagem para o mercado é que a LALIGA não é mais uma mera consumidora de tecnologia, mas uma criadora e fornecedora de soluções para a indústria esportiva global.
O modelo LALIGA: um ecossistema integrado
O diferencial do modelo espanhol, segundo o próprio relatório, reside na integração de três pilares. Primeiro, o desenvolvimento de tecnologia proprietária. Segundo, a disseminação de ferramentas para os 42 clubes profissionais, incluindo formação em IA para 100% de seus funcionários. Por fim, um ecossistema de pesquisa aplicada, liderado pelo departamento de "Football Intelligence".
Essa abordagem verticalizada, que vai da pesquisa fundamental à comercialização de produtos, representa um novo paradigma para ligas esportivas, que tradicionalmente terceirizam suas operações de tecnologia. O objetivo é transformar dados brutos em conhecimento e resolver não apenas as próprias necessidades, mas oferecer soluções a outras organizações.
O "Tech Powerhouse 2026" é, portanto, mais do que um relatório; é um manifesto. A LALIGA aposta que, na economia do esporte do século 21, o controle sobre os dados e a capacidade de gerar inteligência a partir deles serão ativos tão valiosos quanto os direitos de transmissão. Resta saber como outras ligas, incluindo as brasileiras, responderão a um jogo que se torna cada vez mais tecnológico.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





