A Also, uma startup que nasceu dentro da montadora de veículos elétricos Rivian com uma avaliação de US$ 1 bilhão, está fazendo sua estreia no mercado com um produto inusitado: uma bicicleta elétrica. Batizada de TM-B (Transcendent Mobility Bike), o modelo começou a ser testado em Seattle e em outras nove cidades americanas, com um preço inicial de US$ 3.500.

Mas a TM-B está longe de ser apenas mais uma e-bike no concorrido mercado de micromobilidade. Segundo uma reportagem do site GeekWire, que testou o veículo, trata-se de uma máquina “definida por software”. A tese aqui é que a Also não está simplesmente vendendo uma bicicleta, mas sim uma plataforma de mobilidade sobre duas rodas, aplicando a mesma filosofia que transformou os automóveis modernos em computadores sobre rodas.

Hardware como software

O coração da inovação da TM-B é seu sistema de transmissão, que a empresa chama de “pedal-by-wire”. Diferente de qualquer bicicleta convencional ou elétrica, não há uma corrente ou correia conectando mecanicamente os pedais à roda traseira. O ato de pedalar funciona como um comando digital para o software do motor, que então decide quanta potência enviar à roda. O sistema gera uma resistência sintética sob os pés do ciclista para simular a troca de marchas.

Essa abordagem transforma o hardware em uma plataforma para o software. Funções como o freio regenerativo, que recarrega a bateria durante a desaceleração, e o travamento de velocidade máxima (45 km/h) são controladas por firmware, tornando-as mais seguras e difíceis de burlar. A empresa planeja, inclusive, atualizações remotas (over-the-air) que permitirão aos proprietários criar perfis de uso com limites de velocidade, como um modo para adolescentes.

O DNA da Rivian

A origem automotiva da Also é evidente não apenas na tecnologia, mas no design do produto. A segurança, uma grande preocupação para donos de bicicletas de alto valor, é tratada como em um carro. O sistema de trava digital desativa o motor, o compartimento da bateria e a liberação do quadro, além de imobilizar eletronicamente a roda traseira. Um futuro aplicativo permitirá rastreamento por GPS e alertas de violação em tempo real.

A modularidade é outro ponto forte. O quadro superior pode ser trocado em segundos para adaptar a bicicleta a diferentes usos (transporte de carga, assento para passageiro) ou a ciclistas de diferentes estaturas. A bateria, que usa células com a mesma tecnologia da Rivian, tem autonomia de até 96 km e funciona como um power bank, com portas USB-C bidirecionais. Com 180 Nm de torque, o dobro de muitas e-bikes de carga, a TM-B promete agilidade para vencer ladeiras e sair na frente em cruzamentos.

O movimento da Also é um experimento importante. Ele testa se o consumidor está disposto a pagar um prêmio por uma experiência de software integrada em um veículo de duas rodas. Mais do que uma bicicleta, a TM-B se posiciona como um veículo elétrico leve, borrando as fronteiras em um mercado que busca alternativas inteligentes para o trânsito das grandes cidades.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · GeekWire