A TERRANOVA, gestora de ativos digitais da Actis, iniciou as obras de seu "Campus Campinas", um complexo de data centers projetado especificamente para a era da inteligência artificial. Com um investimento inicial que supera US$ 500 milhões, o projeto visa erguer, no interior de São Paulo, uma das primeiras estruturas do tipo na América Latina, focada em alta densidade computacional e sustentabilidade.
O movimento vai além da simples expansão da capacidade de armazenamento. A construção em Campinas é uma aposta estratégica na infraestrutura que sustentará a próxima década de inovação em IA na região. Ao adotar a tecnologia de resfriamento líquido em escala — uma novidade no Brasil, segundo a empresa —, a TERRANOVA posiciona-se para atender à demanda energética voraz dos processadores que treinam e rodam os novos modelos de linguagem, um gargalo técnico e ambiental para data centers convencionais.
A corrida pelo resfriamento
A explosão da IA generativa não é apenas uma revolução de software; é um desafio de hardware e termodinâmica. Os chips de alta performance necessários para processar algoritmos complexos geram um calor que os sistemas de refrigeração a ar tradicionais lutam para dissipar de forma eficiente. A solução adotada pela TERRANOVA, o resfriamento líquido, é vista no setor como a próxima fronteira para data centers de alta densidade. A tecnologia promete não apenas maior eficiência energética, mas também uma drástica redução no consumo de água, alinhando a expansão digital a uma agenda de sustentabilidade.
O eixo Campinas
A escolha de Campinas não é acidental. O município já é um polo consolidado de tecnologia e pesquisa, com mão de obra qualificada e infraestrutura robusta. O projeto, que prevê uma subestação com capacidade inicial de 300 MW, sinaliza a ambição de criar um hub de escala continental, capaz de atrair os "hyperscalers" — gigantes como Amazon, Google e Microsoft — que precisam de capacidade massiva para expandir seus serviços de IA. Este investimento estabelece um novo patamar para a competição por infraestrutura digital na América do Sul.
O início das obras é um marco, mas o sucesso do empreendimento dependerá da sua capacidade de atrair os grandes clientes globais e gerenciar a complexa operação energética. O Campus Campinas funciona como um termômetro para a ambição da região na economia da IA: construir a infraestrutura fundamental para a nova economia digital ou se contentar em ser apenas uma consumidora de tecnologia desenvolvida em outros continentes.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · TIInside





