O Boston Consulting Group (BCG) promoveu três de seus sócios sêniores para posições-chave em suas iniciativas de inteligência artificial e tecnologia na América do Norte. Amanda Luther, Silvio Palumbo e Natasha Taylor assumem a dianteira em um movimento que revela muito sobre a estratégia da gigante da consultoria para a nova era tecnológica.

A nomeação, reportada pelo Business Insider, não é uma dança das cadeiras trivial. O fio condutor entre os três executivos não é apenas a sua profunda experiência técnica ou em projetos de transformação, mas uma característica cada vez mais valorizada no C-level: a habilidade de gerir pessoas. A aposta do BCG é clara: o maior gargalo para a implementação bem-sucedida da IA não está no código, mas na cultura organizacional.

A tese do fator humano

A decisão do BCG acontece em um momento de profunda disrupção para a indústria de consultoria. A inteligência artificial generativa está automatizando tarefas analíticas que, por décadas, formaram a base da pirâmide de talentos e do modelo de negócios dessas firmas. Clientes, por sua vez, estão cada vez mais céticos em relação ao faturamento por hora e exigem modelos com “skin in the game”, atrelados a resultados concretos.

Neste novo cenário, o valor de um consultor desloca-se da execução de tarefas para a capacidade de orquestrar a mudança. Como aponta Natasha Taylor, que ajudará a liderar a prática de tecnologia e digital, o retorno sobre o investimento em IA exige um “enorme volume de engajamento de pessoas e gestão de mudança”. É um trabalho que demanda líderes capazes de alinhar equipes de tecnologia e de negócios, examinar fluxos de trabalho e fazer com que os funcionários “abracem a tecnologia em vez de temê-la”. A leitura é que a tecnologia é a parte fácil; a transformação humana é o verdadeiro desafio.

O novo arquétipo do consultor

A mudança de perfil não se restringe ao topo da hierarquia. A própria definição de “consultor” está sendo reescrita. O setor, antes dominado por um arquétipo saído das escolas de negócios, agora busca engenheiros, tecnólogos e até criativos. O movimento espelha iniciativas de concorrentes como a McKinsey, que criou uma nova trilha de carreira para especialistas em áreas como IA, e a EY, que hoje recruta ativamente profissionais neurodiversos e sem diploma universitário.

Silvio Palumbo, o novo líder da BCG X — a divisão de construção e design de tecnologia da firma —, descreve a mudança para um modelo de “equipes de consultoria”. Essas equipes combinam a profundidade estratégica e de indústria do consultor tradicional com a capacidade de execução técnica. Para a liderança, isso significa que a agenda de IA deixou de ser delegável. Amanda Luther, nova líder regional de ativação de IA, ressalta que a tecnologia está mudando o “ritmo operacional” das organizações, forçando CEOs a se envolverem diretamente para amplificar seus dois recursos mais escassos: tempo e julgamento.

A aposta do BCG é que, na era da máquina, a capacidade de liderar humanos torna-se o diferencial competitivo decisivo. A estratégia da firma sinaliza que a implementação da IA é menos sobre a ferramenta em si e mais sobre criar um ambiente onde as equipes possam experimentar, aprender e adaptar-se. Resta saber se essa ênfase nas chamadas “soft skills” será o bastante para navegar a disrupção estrutural que a própria tecnologia promete entregar.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider