O governo do Equador anunciou a conclusão de um tratado de livre-comércio com o Canadá, um movimento que garante acesso isento de tarifas para 99,6% de suas exportações ao mercado norte-americano. O acordo abrange produtos-chave da economia equatoriana, como bananas, camarão, frutas tropicais e flores.

Para além dos números, a leitura estratégica é que o pacto é uma resposta pragmática a um cenário de forte competição regional. Países vizinhos, notadamente Colômbia e Peru, já possuíam acordos similares, colocando os produtores equatorianos em desvantagem competitiva direta. Este tratado, portanto, não abre um caminho novo, mas nivela o campo de jogo em um mercado de alto poder aquisitivo.

O xadrez da competitividade

O acordo com o Canadá é um capítulo clássico da diplomacia comercial para uma economia emergente. O objetivo primário é garantir que seus principais produtos de exportação — a espinha dorsal de sua balança comercial — não percam espaço para concorrentes com melhores condições de acesso. A menção de que o tratado iguala as condições às de colombianos e peruanos, segundo o Ministério da Produção equatoriano, é a confissão explícita dessa estratégia defensiva.

Ao mesmo tempo, o Equador negociou a proteção de 227 produtos agrícolas considerados "estratégicos" e "sensíveis", como arroz, milho e laticínios. É a contrapartida necessária para viabilizar politicamente o acordo internamente, protegendo setores que não teriam como competir com a produção canadense, mas que são vitais para a segurança alimentar e a agricultura familiar local.

Para além das commodities

Embora o foco imediato esteja nos produtos agrícolas, o tratado também abre portas para bens de maior valor agregado, como têxteis, calçados, autopeças e móveis. Esta é a aposta de longo prazo: usar o acesso preferencial a um mercado do G7 como uma âncora para diversificar a pauta exportadora e sofisticar a indústria nacional.

O movimento se insere em um contexto geopolítico mais amplo, onde democracias ocidentais buscam fortalecer laços comerciais com parceiros considerados estáveis na América Latina. Para o Canadá, é uma forma de diversificar suas fontes de suprimento. Para o Equador, é uma oportunidade de se conectar a uma cadeia de valor mais resiliente e menos dependente de oscilações em outros mercados.

A assinatura do acordo é o primeiro passo. O verdadeiro desafio para o Equador será interno: aumentar a produtividade e a qualidade para que os benefícios potenciais do acesso ao mercado canadense se materializem em crescimento econômico real e distribuído, especialmente para os pequenos produtores e comunidades que o governo promete beneficiar.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España