Em meio à euforia incessante com a inteligência artificial generativa, uma outra revolução computacional avança de forma mais silenciosa, mas não menos decisiva. Segundo uma análise da revista Fast Company, a computação quântica está superando a fase de ceticismo e entrando em uma era de aplicação prática. A prova está no fluxo de capital: o financiamento para startups do setor saltou de cerca de US$ 1 bilhão em 2024 para mais de US$ 5 bilhões em 2025, segundo dados da New Market Pitch citados na reportagem. A conversa no mercado de risco, antes dominada pela pergunta "se" a tecnologia funcionaria, agora foca em "quando e como" ela será integrada em escala.

Do laboratório ao roadmap

O que mudou foi a transição da pesquisa puramente teórica para a construção de sistemas em escala industrial. Por anos, a instabilidade dos qubits — a unidade fundamental da computação quântica — limitou o progresso a experimentos de pequena escala. Agora, empresas do setor demonstram avanços consistentes no controle desses qubits e na correção de erros. O objetivo final é o computador quântico "tolerante a falhas", capaz de se autocorrigir e executar cálculos complexos de forma estável. A confiança nesse avanço se reflete em roadmaps cada vez mais concretos. A IBM, por exemplo, projeta alcançar a "vantagem quântica" — quando um computador quântico supera um supercomputador clássico em uma tarefa útil — e entregar uma máquina tolerante a falhas até 2029.

Essa mudança de patamar abre a porta para resolver problemas hoje intratáveis, como a descoberta de novas moléculas para medicamentos ou a otimização de cadeias de suprimentos globais. A questão para investidores e empresas não é mais se a computação quântica é uma aposta especulativa, mas sim como se posicionar para a inevitável, ainda que distante, vantagem competitiva que ela promete entregar. O silêncio midiático pode ser o melhor indicador de que o trabalho sério está sendo feito longe dos holofotes.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fast Company