O designer britânico-nigeriano Yinka Ilori, conhecido por seu uso exuberante de cores e padrões, acaba de levar sua estética para um território inesperado: o dos objetos domésticos funcionais. Em parceria com a marca de utilidades Brabantia, Ilori assina a "Home Collection", uma linha que inclui lixeiras, tábuas de passar, escorredores de louça e utensílios de cozinha. A proposta, segundo reportagem da revista de design Dezeen, é injetar cor e personalidade em itens que, por norma, são relegados à invisibilidade estética.

A colaboração vai além de um simples licenciamento de estampas. Ela materializa uma tese de design cada vez mais presente no mercado: a de que a curadoria do lar não deve se limitar a móveis e objetos decorativos. Ao focar em peças de uso diário e intenso, Ilori propõe uma ressignificação da rotina. A ideia é “encontrar a mágica no cotidiano”, transformando tarefas banais em pequenos momentos de apreciação estética.

A curadoria do banal

A filosofia de Ilori desafia uma hierarquia implícita no design de interiores, onde objetos de luxo e colecionáveis recebem toda a atenção, enquanto as ferramentas do dia a dia são escolhidas puramente por sua função. “Nós todos temos esses rituais e rotinas diárias, e os objetos que usamos se tornam uma parte tão grande de nossas vidas, então por que eles não deveriam nos trazer um pouco de alegria?”, questiona o designer na matéria da Dezeen.

A coleção traduz essa visão em padrões vibrantes. As estampas, com linhas que se encontram e se unificam, simbolizam, segundo Ilori, “esforços individuais que eventualmente se juntam para formar um quadro maior”. O uso de cores contrastantes como amarelo, laranja e roxo busca dar ritmo e movimento às peças, conferindo-lhes uma personalidade própria. Trata-se de enxergar a lixeira ou a tábua de passar não como um mal necessário, mas como uma obra de arte funcional em um lugar inesperado da casa.

Design além da sala de estar

Este movimento tira o design de seu pedestal e o insere na lavanderia, na cozinha e na área de serviço. É uma aposta de que o consumidor moderno busca expressar sua identidade em todos os cantos do lar, rejeitando o minimalismo estéril que por muito tempo dominou os produtos utilitários. A iniciativa de Ilori com a Brabantia ecoa outras colaborações recentes do designer, como a coleção para a loja de departamentos Dunelm, que visava tornar o bom design “muito mais acessível”.

A ambição de Ilori parece não ter limites. Questionado sobre qual seria a conclusão lógica de sua missão, ele sugere, em tom de brincadeira, que seu próximo projeto poderia ser uma escova de banheiro. A provocação, no entanto, funciona como uma declaração de intenções: para o designer, não existe objeto mundano demais que não possa ser elevado pela criatividade e pela cor. O design, nessa visão, não é um luxo para poucos, mas uma ferramenta para qualificar a experiência de viver, em todos os seus detalhes.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Dezeen