O preço do diesel disparou globalmente, com o litro superando os 2,30 euros na Alemanha e o galão se aproximando de US$ 8 na Califórnia. A surpresa, no entanto, é que o barril de petróleo bruto está mais barato do que no pico de 2022. O epicentro da crise atual não está nos poços de petróleo, mas nas refinarias, um elo intermediário da cadeia que vive um momento de lucros extraordinários.

A chave para entender o fenômeno está no chamado “crack spread”, a margem de lucro que as refinarias obtêm ao transformar o petróleo bruto em produtos como diesel e gasolina. Segundo reportagem do site espanhol Xataka, essa margem atingiu um recorde de US$ 100 por barril nos Estados Unidos. O resultado é visível nos balanços: as três maiores refinarias americanas — Marathon Petroleum, Valero e Phillips 66 — registraram, em um cenário hipotético traçado pela fonte, lucros combinados de US$ 12,6 bilhões em um único trimestre. Não falta petróleo; falta capacidade industrial para processá-lo na velocidade da demanda.

Geopolítica no gargalo

Essa escassez de capacidade não é acidental. Ela é produto direto de uma combinação de fatores geopolíticos que estrangulam a oferta de produtos refinados. De um lado, ataques ucranianos a refinarias russas levaram Moscou a restringir suas exportações de diesel. De outro, tensões no Oriente Médio, particularmente no Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial —, têm paralisado a operação de refinarias em países do Golfo.

Fontes do setor estimam que, somados, os conflitos tiraram de operação o equivalente a 5 milhões de barris diários de capacidade de refino. Esse volume representa aproximadamente 8% da demanda global por diesel, um déficit que empurra os preços para cima e transfere a captura de valor da extração para o processamento. A crise atual desloca o eixo da segurança energética: a vulnerabilidade não está mais apenas no acesso à matéria-prima, mas na infraestrutura industrial capaz de convertê-la em combustível. Para o consumidor final, o resultado é o mesmo: um custo mais alto para encher o tanque. Para a indústria de energia, é uma reorganização profunda de poder e lucro.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Xataka