Um raro eclipse solar total cruzará o céu europeu em 12 de agosto de 2026, um evento astronômico que não ocorre na Espanha continental há mais de um século. A faixa de totalidade, onde a Lua cobrirá completamente o Sol, passará pela Groenlândia, Islândia e norte da Espanha, atraindo a atenção de milhões de pessoas. O fenômeno não será visível do Brasil, mas a corrida para registrá-lo já começou para fotógrafos amadores e profissionais na Europa.

A oportunidade de capturar a coroa solar — a atmosfera externa do Sol, normalmente ofuscada por seu brilho intenso — é o grande prêmio. Contudo, a empreitada é repleta de riscos. Apontar qualquer dispositivo óptico diretamente para o Sol sem a proteção correta pode causar danos irreversíveis e instantâneos, tanto para o sensor da câmera quanto, mais gravemente, para a retina do observador. A fotografia do eclipse, portanto, é menos sobre o clique e mais sobre a preparação e a segurança.

A segurança como ponto de partida

A regra fundamental para a fotografia de um eclipse solar é inflexível: durante todas as fases parciais do fenômeno, o uso de um filtro solar especializado é obrigatório. Estes não são filtros fotográficos comuns, como os de densidade neutra (ND) ou polarizadores. Trata-se de folhas ou vidros projetados especificamente para bloquear a esmagadora maioria da luz visível e da radiação infravermelha e ultravioleta, que são as verdadeiras ameaças.

O filtro deve ser acoplado na frente da lente da câmera, do telescópio ou do binóculo, protegendo todo o sistema óptico antes que a luz solar seja amplificada. A única exceção a essa regra ocorre durante os breves minutos da totalidade, quando o disco solar está 100% encoberto pela Lua. Nesse momento, e apenas nele, os filtros podem ser removidos para capturar a tênue coroa solar. Assim que o primeiro raio de sol reaparecer, o filtro deve ser recolocado imediatamente.

Do smartphone ao telescópio

Com a segurança garantida, a abordagem técnica varia conforme o equipamento. Para quem usa um smartphone, um tripé é essencial para garantir a estabilidade. Mesmo para celulares, um filtro solar adequado deve ser posicionado sobre a lente durante as fases parciais. Uma lente grande-angular pode ser usada para compor uma cena que inclua a paisagem e o céu escurecido, enquanto o zoom pode ser tentado durante a totalidade para um registro mais próximo.

Fotógrafos com câmeras DSLR ou mirrorless e lentes teleobjetivas (acima de 300 mm) conseguirão os registros mais detalhados da coroa. Nessas configurações, recomenda-se o uso de ISO baixo para minimizar o ruído e velocidades de obturador variadas para capturar diferentes camadas da coroa. Fotografar em formato RAW é crucial, pois preserva mais informações para o tratamento da imagem. Para os mais equipados, um telescópio com montagem de rastreamento automático oferece o ápice da fotografia de eclipses, mantendo o Sol perfeitamente enquadrado.

Independentemente da tecnologia, o princípio não muda. O eclipse é um evento rápido e a oportunidade de registrá-lo, única. Contudo, a busca pela imagem perfeita não pode se sobrepor à proteção. No fim, a melhor fotografia é aquela que permite ao fotógrafo continuar a ver e a fotografar no dia seguinte.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Olhar Digital