O governo da Catalunha, na Espanha, concluiu um projeto-piloto de dois meses para fiscalizar motoristas com um sistema de câmeras móveis equipadas com inteligência artificial. Posicionado nas movimentadas rodovias A-2 e AP-7, o equipamento foi treinado para identificar automaticamente o uso de celular ao volante e a falta do cinto de segurança. Segundo reportagem do site espanhol Xataka, a tecnologia demonstrou uma precisão superior a 70% na detecção geral de infrações, abrindo um novo capítulo na vigilância do tráfego.

A eficiência do algoritmo

Os números do teste são expressivos: mais de 8.500 motoristas foram flagrados usando o celular e cerca de 4.500 ocupantes estavam sem o cinto de segurança ou o utilizavam de forma incorreta. A precisão na detecção específica do uso de smartphones superou 84%, um índice que valida a tecnologia não apenas como um conceito, mas como uma ferramenta de fiscalização escalável. A leitura é que o sistema vai além dos radares de velocidade tradicionais, introduzindo uma camada de análise comportamental que, até então, dependia exclusivamente da observação humana.

Vigilância como serviço

Embora o Servei Català de Trànsit (SCT) posicione o sistema como uma "ferramenta complementar", o modelo aponta para um futuro de "vigilância como serviço". A unidade móvel, que pode ser deslocada para qualquer ponto, cria um paradigma de monitoramento constante e automatizado. A discussão, portanto, se desloca da eficácia técnica para as implicações éticas e de privacidade. O sucesso do piloto na Catalunha, que já coloca a região como a terceira em infrações do tipo em um ranking internacional, serve de laboratório para outras jurisdições, inclusive no Brasil, onde o debate sobre monitoramento inteligente ainda engatinha.

O SCT planeja integrar a tecnologia em seu plano de segurança viária para 2027-2030, focando em campanhas de conscientização. No entanto, o precedente está aberto. A mesma infraestrutura que hoje flagra um celular na mão do motorista pode, amanhã, ser adaptada para monitorar outros comportamentos, forçando uma discussão mais ampla sobre os limites da vigilância algorítmica no espaço público.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Xataka