Em análise recente sobre o mercado de inteligência artificial de 2026, a Anthropic protocolou confidencialmente seus documentos iniciais na Securities and Exchange Commission (SEC). O movimento preparatório para uma oferta pública inicial, prevista para o final do ano, ocorre dias após a empresa fechar uma rodada de financiamento de US$ 65 bilhões. Com o novo aporte, a criadora do Claude atingiu uma avaliação de US$ 965 bilhões, quase triplicando seu valor de US$ 380 bilhões em um intervalo de cerca de três meses. Financeiramente, a companhia reportou uma receita anualizada de US$ 47 bilhões em maio, um salto expressivo em relação aos US$ 30 bilhões registrados no início do ano e aos US$ 10 bilhões do ano anterior.

A reconfiguração da liderança em IA

A ascensão da Anthropic reconfigura o topo da cadeia de valor da inteligência artificial generativa. A empresa ultrapassou oficialmente a OpenAI e assumiu o posto de startup mais valiosa do setor. O crescimento foi impulsionado pela forte demanda corporativa e pelo sucesso de sua franquia Claude Code.

Do outro lado do espectro, a OpenAI, laboratório que catalisou o boom do setor com o ChatGPT, enfrenta um momento de maior escrutínio. Apesar de ter levantado US$ 122 bilhões a uma avaliação de US$ 852 bilhões em março, a empresa tem gerado desconforto entre investidores devido ao não cumprimento de metas de receita e a uma disputa judicial em andamento com Elon Musk.

Para contexto editorial, a BrazilValley observa que a transição de liderança entre laboratórios de IA reflete uma mudança na preferência do mercado: da adoção massiva por consumidores finais para a integração de ferramentas corporativas de alta precisão, uma dinâmica que tem historicamente definido a maturação de ciclos tecnológicos.

O mercado secundário e a corrida trilionária

A iminência do IPO da Anthropic insere a companhia no pipeline de aberturas de capital mais movimentado desde 2021. Três das empresas privadas mais valiosas da história convergem para o mercado público na mesma janela temporal. Além do duelo direto entre Anthropic e OpenAI, a SpaceX — que concluiu uma fusão com a xAI no início deste ano — é a operação mais avançada. A empresa aeroespacial já possui um registro público e planeja iniciar seu roadshow no início de junho, buscando levantar mais de US$ 75 bilhões a um valuation estimado em US$ 1,8 trilhão.

A escassez e a alta demanda pelos papéis da Anthropic criaram uma economia paralela antes mesmo da listagem oficial. Intermediários operam a venda de ações secundárias da companhia, um ambiente que tem registrado inclusive casos de fraude.

Como a Anthropic mantém restrições estritas sobre quem pode deter suas ações privadas, potenciais compradores são forçados a utilizar veículos de propósito específico (SPVs) ou fundos que detêm participações indiretas nos papéis originais, fragmentando a estrutura de propriedade antes do IPO.

A ida da Anthropic ao mercado público testa a viabilidade real dos valuations trilionários da inteligência artificial. O embate entre Anthropic, OpenAI e SpaceX não é apenas uma disputa por liquidez, mas o momento em que a tese de IA generativa sai do ambiente protegido do venture capital e passa a responder às exigências de rentabilidade e transparência de Wall Street.

Fonte · Brazil Valley | Technology