Às margens do rio Vardar, a capital da Macedônia do Norte exibe uma identidade recém-construída. Edifícios pomposos de estilo clássico e estátuas monumentais, erguidos após a independência da Iugoslávia, contam uma nova história oficial. Mas basta um desvio para encontrar outra cidade, um outro tempo. Entre os blocos cinzentos da era comunista, emerge uma estrutura que parece de outro planeta: o Centro de Correios e Telecomunicações, uma obra-prima da arquitetura brutalista.
Para o turista desavisado, é uma anomalia. Para arquitetos, é um local de peregrinação. A obra, do macedônio Janko Konstantinov, é o símbolo máximo da reconstrução de Skopje após o devastador terremoto de 1963, um projeto liderado pelo lendário arquiteto japonês Kenzo Tange. Konstantinov, que trabalhou com o finlandês Alvar Aalto, concebeu o edifício principal, finalizado em 1974, como um “lótus de concreto”, uma flor a desabrochar dos escombros. Seus arcos que lembram contrafortes góticos conferem-lhe um ar de catedral, uma alusão, nas palavras do próprio arquiteto, aos “mosteiros e igrejas medievais dos Bálcãs”.
A cicatriz e a promessa
Este monumento a um futuro que nunca chegou por completo carrega suas próprias feridas. Em 2013, um incêndio de grandes proporções destruiu sua cúpula de vidro e os murais que adornavam o interior. O esqueleto de concreto, com suas nervuras afiadas que parecem ao mesmo tempo arcaicas e futuristas, sobreviveu, mas a alma do espaço foi gravemente ferida.
Hoje, o complexo é um paradoxo. Desprezado por alguns como uma relíquia feia de um passado autoritário, é defendido por outros como um patrimônio arquitetônico de valor inestimável. Existem planos para converter o conjunto em um centro cultural, uma tentativa de reconciliar a cidade com sua própria estrutura. A questão que paira sobre Skopje é se o renascimento prometido pelo lótus de concreto de Konstantinov pode, finalmente, florescer, ou se ele permanecerá como uma ruína poética de uma visão de mundo abandonada.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Atlas Obscura





