Toda regra nasce de uma boa intenção: proteger, organizar, garantir. Mas quando a soma das boas intenções se transforma numa selva impenetrável de normas, o resultado pode ser a paralisia. É o que sugere um novo e contundente relatório na Espanha, que se propôs a uma tarefa hercúlea: calcular o preço da complexidade. O número, divulgado pela Forbes España, é vertiginoso: mais de €90 bilhões anuais, o equivalente a quase 6% do PIB do país.
O estudo “Desenredar España”, do Instituto Juan de Mariana e do observatório CEU-Cefas, disseca esse custo com precisão cirúrgica. Cerca de €37,5 bilhões vêm da fragmentação regulatória entre as comunidades autônomas — um eco distante, mas familiar, da guerra fiscal e burocrática entre estados brasileiros. Outros €52,4 bilhões são atribuídos à falta de avanços no alinhamento com o mercado único europeu, um lembrete de que a integração econômica é um processo contínuo e frágil. A análise revela um dado alarmante: 76% de todas as normas publicadas na Espanha nos últimos 40 anos vieram dos governos regionais, não do poder central. É um emaranhado que, segundo especialistas como Sebastián Albella, ex-presidente da comissão de valores mobiliários espanhola, precisa ser simplificado para "facilitar a vida de empresas e cidadãos". A defesa é por uma desregulação inteligente, que não comprometa a supervisão, mas remova barreiras desnecessárias à atividade econômica.
A proposta do relatório para eliminar mais de 200 leis é um ponto de partida, não um destino. A questão que paira sobre Madri, e que ressoa em Brasília, é como "desenredar" o nó da burocracia sem cortar os fios que sustentam a proteção social e a estabilidade dos mercados. O desafio não é apenas revogar leis, mas redesenhar a própria filosofia do Estado regulador. A resposta, se encontrada, valerá muito mais que os €90 bilhões em jogo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





