Os mercados europeus amanheceram no vermelho nesta quinta-feira, com o setor de tecnologia puxando as perdas de forma expressiva. O índice pan-europeu Stoxx 600 registrava queda de 0,70% no início do dia, mas o tombo era mais acentuado no subíndice de tecnologia, que cedia 1,4%, segundo reportagem do portal Money Times.

A leitura do mercado vai além de uma simples correção. O movimento sinaliza um crescente ceticismo dos investidores com a tese que sustentou o rali da tecnologia no último ano: a de que investimentos maciços em inteligência artificial se pagariam no curto prazo. Essa dúvida, agora, encontra um terreno fértil em meio a incertezas macroeconômicas e geopolíticas.

O peso da inteligência artificial

O gatilho para a desconfiança veio do outro lado do Atlântico. A divulgação de que o fluxo de caixa livre da Alphabet ficou negativo, ao mesmo tempo em que a gigante de tecnologia elevou seus planos de gastos de capital (capex), acendeu um alerta global. A questão que paira no ar é se a custosa corrida pela supremacia em IA se traduzirá em lucros ou apenas em despesas crescentes.

A reação em cadeia foi imediata e sentida fortemente na Europa. O caso mais emblemático foi o da fabricante de chips franco-italiana STMicroelectronics, cujas ações desabaram 13,7% após a companhia projetar uma receita para o próximo trimestre abaixo das expectativas. O fato de que nem mesmo balanços positivos de bancos como BNP Paribas e UniCredit conseguiram animar o mercado mostra que o pessimismo com a tecnologia contaminou o sentimento geral.

Juros e geopolítica no radar

Ampliando a aversão ao risco, os investidores aguardam com cautela a decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE). Embora a expectativa seja de manutenção da taxa de juros, o mercado estará atento ao discurso de Christine Lagarde, presidente da instituição. Qualquer sinalização de futuros aumentos para conter a inflação poderia restringir ainda mais o crédito e o apetite por ativos de crescimento, como as ações de tecnologia.

Soma-se a este cenário a escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã, que impulsiona o preço do petróleo pela quinta sessão consecutiva, com o barril do tipo Brent superando os US$ 98. A alta da commodity representa uma pressão inflacionária adicional, complicando o cálculo do BCE e ameaçando as margens das empresas. Bolsas como as de Paris, Frankfurt e, principalmente, Milão, registravam perdas superiores a 1%.

O dia nos mercados europeus, portanto, é um retrato da complexa intersecção entre as ansiedades do micro e do macro. De um lado, a promessa da tecnologia é testada pela realidade de seus custos. Do outro, a política monetária e a geopolítica criam um pano de fundo que não permite margem para otimismo excessivo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times