A inteligência artificial está se tornando onipresente no mundo corporativo, mas a euforia da adoção ainda não se reflete no balanço financeiro. Essa é a principal conclusão do estudo “The State of AI in 2026”, publicado pela McKinsey, que aponta uma adoção massiva da tecnologia, mas com um retorno sobre o investimento (ROI) que teima em não decolar.
Segundo a pesquisa, realizada com quase 2.000 executivos globais, a IA deixou de ser um experimento. Quase nove em cada dez organizações já a utilizam regularmente, e 44% afirmam estar escalando seu uso em toda a empresa. O paradoxo é que, enquanto a tecnologia avança, o retorno financeiro permanece praticamente estável, levantando a questão central: como converter a implementação em escala em lucro real?
O dilema da produtividade sem lucro
O estudo revela uma desconexão fundamental. Enquanto 80% dos entrevistados afirmam que a IA melhorou sua produtividade individual e metade diz que ela auxilia na tomada de decisões, apenas 37% reportam um impacto positivo no EBIT (lucro antes de juros e impostos) de suas organizações. Esse percentual praticamente não mudou em relação ao levantamento anterior.
A análise da McKinsey sugere que o valor não é capturado simplesmente ao adicionar IA aos processos existentes. As empresas que conseguem extrair mais retorno são aquelas que estão redesenhando fundamentalmente seus fluxos de trabalho a partir das novas possibilidades tecnológicas, uma tarefa estruturalmente mais complexa do que apenas adotar uma nova ferramenta.
Primeiros sinais de mudança estrutural
Um dos efeitos mais concretos da IA generativa já aparece na área de tecnologia. O relatório aponta que 32% das empresas decidiram não comprar pelo menos um produto de software porque conseguiram construir uma solução interna equivalente utilizando agentes de programação baseados em IA. Este é um sinal de que a tecnologia começa a alterar a clássica decisão entre “comprar ou construir” (buy vs. build).
Ao mesmo tempo, o custo operacional da IA entra no radar: 20% dos gestores citam os gastos com a tecnologia, incluindo tokens, como um fator que limita seu uso. A pressão também chega à força de trabalho, com 39% dos executivos esperando uma redução no quadro de funcionários no próximo ano devido à automação, um aumento em relação aos 32% da pesquisa anterior.
O cenário traçado pela McKinsey é o de uma tecnologia que avança em duas velocidades: a da adoção, acelerada e visível, e a da captura de valor, mais lenta e complexa. O desafio para os líderes não é mais decidir se vão usar IA, mas como redesenhar a organização para que o investimento se pague.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · TIInside





