O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou que o estado cumprirá as metas de universalização do saneamento básico até 2030, três anos antes do prazo estipulado pelo marco legal nacional. A declaração, feita durante uma sabatina com veículos de imprensa, posiciona o avanço como um dos principais trunfos de sua gestão e um resultado direto da privatização da Sabesp.

A tese central do governador é que a capitalização da companhia permitiu uma aceleração sem precedentes nos investimentos. O movimento, no entanto, ocorre em um cenário de crescente número de reclamações sobre o valor das tarifas, um ponto sensível que Tarcísio busca recontextualizar como um efeito colateral da eficiência, e não um problema de serviço.

O cálculo político e o desafio operacional

A promessa de antecipar a universalização é uma peça-chave na narrativa política de Tarcísio, servindo como um case de sucesso para sua principal aposta administrativa: a venda do controle da Sabesp. Ao destacar que São Paulo “saiu na frente”, o governador contrapõe seu modelo ao restante do país, transformando um desafio de infraestrutura em um ativo de campanha.

Segundo ele, a companhia saltou de 200 para 1.200 obras anuais. No entanto, o principal atrito com a população não parece ser o ritmo das obras, mas o que chega no fim do mês. Tarcísio defende que o aumento das queixas sobre o preço da tarifa se deve à regularização de ligações antes clandestinas e à troca de hidrômetros, e não a uma piora na qualidade. A leitura aqui é que a gestão busca enquadrar a dor no bolso do consumidor como um passo necessário para a modernização e a justiça do sistema, onde todos passam a pagar a conta.

Os próximos anos serão o teste definitivo para esse argumento. A promessa de despoluir a represa Billings e ampliar a resiliência hídrica da Grande São Paulo são projetos de alta complexidade que vão além da simples expansão da rede. O sucesso da “nova Sabesp” será medido não apenas por novas conexões, mas pela capacidade de entregar segurança hídrica e ambiental, validando o custo político e financeiro da privatização.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney