Num exercício de futurologia econômica, analistas da Empiricus e do BTG Pactual colocaram no papel o que seria necessário para o Ibovespa atingir a marca de 300 mil pontos, o dólar cair abaixo de R$ 4 e os juros longos voltarem a um dígito. A resposta, detalhada em um relatório conjunto, não é uma previsão, mas um cálculo do potencial represado na economia brasileira: um ajuste fiscal severo e crível.
A tese central do documento, segundo reportagem do Money Times, é que os preços atuais dos ativos brasileiros carregam um prêmio de risco fiscal significativo. O relatório funciona, portanto, como um termômetro: ele mede o quanto os mercados poderiam se valorizar caso o próximo governo, a ser eleito em 2026, consiga reverter a trajetória da dívida pública.
O preço do ajuste
O gatilho para a reavaliação dos ativos não é trivial. Os analistas estimam que a estabilização da dívida pública exigiria uma virada fiscal de quase 3 pontos percentuais do Produto Interno Bruto. Isso significa transformar o atual déficit primário, de 0,67% do PIB, em um superávit de aproximadamente 2,1% do PIB. Um esforço que demandaria um capital político e uma capacidade de execução que o Brasil não demonstra há anos.
Para que a mudança seja percebida como estrutural, e não apenas um esforço pontual, o plano precisaria incluir medidas como a desaceleração de despesas obrigatórias, a revisão de indexações e o estabelecimento de metas primárias verificáveis e com gatilhos automáticos. A credibilidade, segundo o relatório, seria o ativo mais importante a ser construído.
Cenários em escala
O estudo desenha três cenários progressivos. Um ajuste "crível", suficiente para reduzir o prêmio de risco, já levaria o Ibovespa à casa dos 220 mil pontos. Um ajuste "forte", com reformas relevantes nas despesas, poderia empurrar o índice para 260 mil pontos e o dólar para R$ 4,25. Apenas no terceiro cenário, de "reancoragem estrutural", o Ibovespa tocaria os 300 mil pontos.
Este último patamar, no entanto, é o mais exigente. Além de um ajuste fiscal doméstico impecável, ele dependeria de um ambiente externo construtivo, com inflação global convergente e um fluxo de capital estrangeiro robusto para o país. Em outras palavras, o paraíso dos 300 mil pontos exige que não apenas o Brasil faça sua lição de casa, mas que o resto do mundo colabore.
O relatório serve menos como um mapa do tesouro e mais como uma régua para medir a ambição — e a competência — da próxima agenda econômica. Ele quantifica a oportunidade que o Brasil desperdiça com a indisciplina fiscal e oferece um framework para o mercado avaliar as promessas que virão. A viabilidade política para executar tal plano, contudo, segue sendo a variável mais incerta da equação.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





