O Instituto Tecnológico Autónomo de México, mais conhecido como ITAM, consolidou-se ao longo de oito décadas como uma das mais influentes e seletas universidades privadas do país. O que começou em 1946 como uma modesta escola de Economia no centro da Cidade do México é hoje um celeiro para a elite política e empresarial mexicana, com ex-alunos que incluem presidentes e secretários de Fazenda.

A trajetória da instituição, detalhada em reportagem do portal mexicano Expansión, é indissociável da família Baillères, controladora do conglomerado Grupo BAL. A leitura aqui é que o ITAM representa um caso singular de como um projeto filantrópico, focado em excelência acadêmica e sem fins lucrativos, pode se transformar em uma poderosa engrenagem de formação de quadros e influência política.

Um projeto de família

A história do ITAM começa com Raúl Baillères, que fundou o então Instituto Tecnológico de México com o objetivo de formar profissionais capazes de impulsionar o desenvolvimento industrial e econômico do país. Desde sua origem, a instituição foi concebida como uma entidade privada, laica e sem fins lucrativos. Segundo seus estatutos, o projeto não gera lucros para a família patrocinadora; pelo contrário, exige um aporte financeiro contínuo para manter seu padrão de excelência.

A liderança do projeto passou de Raúl para seu filho, Alberto Baillères, em 1967, e hoje está com seu neto, Alejandro Baillères Gual. Foi sob a gestão de Alberto que uma decisão estratégica definiu o DNA da instituição: resistir às ofertas de expansão para outros estados. A justificativa, segundo a reportagem, era o risco de diluir a qualidade educacional, uma escolha que contrasta com modelos como o do Tecnológico de Monterrey, que possui campi por todo o México.

O celeiro da tecnocracia

Essa concentração de recursos e foco em um único polo acadêmico transformou o ITAM em uma espécie de linha de montagem da tecnocracia mexicana. Por suas salas passaram figuras como o ex-presidente Felipe Calderón e o ex-secretário da Fazenda José Antonio Meade. A forte ênfase em Economia, Contabilidade e Administração desde o início moldou gerações de líderes com uma visão técnica da gestão pública e privada.

O modelo, no entanto, não é isento de barreiras. Com uma anuidade que pode chegar a 1.5 milhão de pesos mexicanos (cerca de R$ 450 mil) para uma graduação completa, o acesso ao ITAM é restrito. A instituição opera, na prática, como um filtro socioeconômico, o que levanta questões sobre a diversidade de perfis e visões que chegam aos mais altos escalões de poder no México.

O legado do ITAM é, portanto, duplo. De um lado, uma história de sucesso filantrópico que elevou o padrão da educação superior no México. De outro, a consolidação de um corredor de poder notavelmente homogêneo, financiado e moldado por uma única dinastia empresarial. A questão que permanece é o balanço entre a excelência técnica que produz e a pluralidade que, por seu desenho, acaba por limitar.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Expansión MX