O podcast Market Makers, focado em finanças e negócios, alcançou o pódio entre os mais consumidos pela alta liderança corporativa no Brasil. Segundo a pesquisa “Hábitos de consumo de informação do C-Level no Brasil”, da agência InPress Porter Novelli com o IBPAD, o programa ocupa a terceira posição, com 7% das menções, empatado com os podcasts da CBN.
O resultado, que coloca o Market Makers atrás apenas de “O Assunto” (g1) e “Café da Manhã” (Folha de S.Paulo), ambos com 10%, é menos sobre o sucesso de um programa específico e mais um sintoma da evolução na dieta de informação do C-Level. A ascensão de um formato de nicho e aprofundado sugere que, para o topo da pirâmide corporativa, a profundidade analítica se tornou tão ou mais valiosa que o noticiário generalista.
A busca pela profundidade
A pesquisa, que ouviu 107 executivos de grandes empresas, aponta para uma demanda por conteúdo que vá além da superfície. Como afirma Thiago Salomão, fundador do Market Makers, em declaração ao Money Times, líderes e tomadores de decisão “dificilmente vão se embasar em uma informação muito rasa”. A tese é que o formato de conversas longas e especializadas oferece a nuance necessária para formar opiniões qualificadas sobre temas complexos — algo que a velocidade do jornalismo diário muitas vezes não comporta.
Nascido há quatro anos como uma parceria com a Empiricus e com foco estrito em mercado financeiro, o Market Makers expandiu seu escopo para economia e política, acompanhando a complexidade das decisões de seus ouvintes. A trajetória reflete uma estratégia bem-sucedida: ancorar-se em um nicho de alto valor (investimentos) e, a partir dali, ampliar a relevância para discussões de negócio mais amplas.
O áudio como arena estratégica
O podcast se consolida como um meio eficiente para o consumo de informação, encaixando-se em rotinas fragmentadas de executivos, seja no trânsito ou durante atividades físicas. A presença de um player independente — ainda que com o lastro do grupo Empiricus — competindo diretamente com gigantes da mídia como Globo e Folha pelo tempo de uma audiência tão seleta é o ponto mais relevante. Demonstra que a qualidade da curadoria e a especialização do conteúdo podem criar uma marca de confiança capaz de furar a bolha da mídia tradicional.
O desafio para produtores de conteúdo, sejam eles legados ou novos entrantes, não é mais apenas garantir a distribuição, mas conquistar o ativo mais escasso do C-Level: a atenção focada. O avanço de podcasts como o Market Makers indica que, nesta disputa, a profundidade se tornou a principal moeda de troca.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





