A Embraer voltou a voar em céu de brigadeiro no mercado financeiro. Após uma valorização de 33% em dólar nos últimos dois meses, as ações da companhia receberam um novo voto de confiança do Itaú BBA, que elevou seu preço-alvo de R$ 91 para R$ 124 ao fim de 2026, reiterando a recomendação de compra. O movimento ecoa o otimismo de outras casas, como o JPMorgan, que recentemente apontou um alvo de R$ 135 para os papéis.
O rali não é fruto de mera especulação. A leitura do mercado, conforme detalhado em reportagem do InfoMoney, é uma resposta direta aos resultados positivos apresentados pela fabricante no segundo trimestre e a uma perspectiva de crescimento sólido e de longo prazo. A tese é que a Embraer consolida sua posição como um ativo estratégico global, capitalizando o bom momento tanto na aviação comercial quanto no setor de defesa.
O motor por trás da alta
A confiança do Itaú BBA está ancorada em projeções robustas. O banco espera um crescimento médio anual de cerca de 15% no resultado operacional (Ebit) da Embraer até 2030, um ritmo forte que sustenta a visão otimista. As estimativas do BBA para 2027 chegam a estar 8% acima do consenso de mercado, indicando uma convicção de que a companhia pode superar as expectativas atuais.
O mercado não está olhando apenas pelo retrovisor. Entre os catalisadores de curto prazo estão a expectativa de novos pedidos firmes nas divisões comercial e de defesa, uma possível revisão para cima das projeções da própria empresa no próximo trimestre e oportunidades concretas em mercados como a Índia. Cada um desses fatores reforça a narrativa de uma empresa com uma carteira de pedidos robusta e visibilidade de receita.
Valuation e os riscos no radar
Mesmo após a escalada recente, a análise sugere que ainda há espaço para valorização. A Embraer negocia com um desconto de aproximadamente 13% em relação à sua principal concorrente, a Airbus, em linha com a média histórica recente. Para o investidor, o Itaú BBA calcula uma taxa interna de retorno (TIR) de 11% ao ano em dólar, mesmo aplicando premissas conservadoras ao modelo.
Contudo, o cenário não é isento de turbulências. Os principais riscos no radar incluem uma performance operacional abaixo do esperado após um trimestre forte, uma conversão mais lenta da carteira de pedidos em receita e uma deterioração do cenário geopolítico global, que poderia impactar toda a indústria aeroespacial.
A questão que fica para o investidor é se a Embraer conseguirá sustentar o ritmo, convertendo seu momento operacional favorável e seu posicionamento estratégico em valor de longo prazo, enquanto navega as incertezas de um mercado global complexo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





