A RD Saúde, gigante do varejo farmacêutico avaliada em R$ 32 bilhões na B3, acaba de inaugurar um campo de testes para seu futuro no mercado de beleza. A nova "Raia Conceito", localizada no Itaim Bibi, em São Paulo, é uma flagship com mais que o dobro do tamanho de uma loja padrão e um mix onde 65% dos itens são dedicados a cosméticos e cuidados pessoais.

A inspiração, segundo reportagem do Brazil Journal, é o modelo da rede britânica Boots, que combina farmácia com um forte departamento de beleza. A tese da RD é que a consumidora de produtos premium já frequenta suas lojas, mas compra em outro lugar. A nova unidade funcionará como um laboratório para entender como levar marcas de luxo para sua rede de mais de 3.600 pontos de venda.

Do remédio ao batom de luxo

A estratégia ataca uma dor de mercado: a escassez de canais físicos para a distribuição de marcas de beleza premium no Brasil. Hoje, esse ecossistema é concentrado em redes especializadas, como a Sephora, lojas de marca e perfumarias independentes. A RD aposta que sua capilaridade incomparável pode ser um ativo poderoso para atrair grifes internacionais que buscam expandir sua presença no país.

Para isso, a Raia Conceito estreia com cerca de 50 novas marcas, incluindo nomes como Lancôme, Shiseido e, notavelmente, produtos de uso profissional para cabelos como Kérastase e Wella. Marcello de Zagottis, vice-presidente de operações, afirmou ao Brazil Journal que a companhia já é forte em cuidados com a pele, mas tem participação mínima em fragrâncias e produtos capilares profissionais. O novo espaço é a tentativa de fechar essa lacuna.

Um teste omnichannel

Mais do que uma simples loja, a Raia Conceito foi desenhada como um hub de experiência. Com consultoras especializadas, equipamentos para análise de pele e um estúdio para produção de conteúdo, o espaço visa ser uma vitrine que apoia e impulsiona as vendas digitais. Todos os novos produtos estarão disponíveis no aplicativo da companhia, transformando a loja física em um ponto de experimentação e apoio logístico para o e-commerce.

O movimento também é uma resposta a uma dinâmica interna. A categoria de beleza, embora cresça dois dígitos, vinha perdendo participação no faturamento da RD para o fenômeno das drogas GLP-1. A aposta em produtos de maior valor agregado é uma forma de rebalancear o mix e defender as margens. O desempenho da unidade nos próximos seis meses definirá se o luxo pode, de fato, se tornar parte do receituário da maior rede de farmácias do país.

O experimento no Itaim Bibi servirá de termômetro. A partir dele, a RD decidirá quais marcas, categorias e formatos podem ser replicados em outras lojas com vocação para beleza. A questão que fica é se a identidade de uma marca de farmácia consegue se esticar para abraçar o luxo, e se o modelo é escalável para além de um dos metros quadrados mais caros do Brasil.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Brasil Journal Tech