A 1-54 Contemporary African Art Fair, principal plataforma para a arte do continente africano e sua diáspora, anunciou os 35 expositores que participarão de sua próxima edição em Londres. O evento ocorrerá entre 15 e 18 de outubro no Somerset House, em paralelo às influentes feiras Frieze London e Frieze Masters.

A lista de galerias, que inclui nomes de Lagos, Paris, Cidade do Cabo e Nova York, sinaliza a contínua globalização do interesse pela produção artística africana. Mas o destaque desta edição não está apenas nos nomes contemporâneos. A tese curatorial da feira aponta para um movimento de maturação: a busca por um diálogo explícito com as raízes modernistas que sustentam a vibrante cena atual.

O peso da história

A grande novidade é a exposição especial "West Wind", curada pela historiadora Nancy Dantas, que reunirá obras de artistas modernistas pioneiros de todo o continente. A iniciativa busca, nas palavras da fundadora da feira, Touria El Glaoui, em declaração à ARTnews, "trazer os modernistas para uma conversa com os artistas contemporâneos". Segundo El Glaoui, essa conexão permite "um relato mais completo e preciso da arte africana".

A leitura aqui é estratégica. Ao colocar em destaque os mestres do século XX, a 1-54 não faz apenas uma revisão histórica. O movimento ancora a produção contemporânea em uma linhagem estabelecida, conferindo profundidade e um lastro canônico que pode ser crucial para a sustentação de seu mercado a longo prazo.

Um mercado global

A lista de galerias participantes reflete essa ambição. Nomes de Londres, Lagos, Cidade do Cabo e Nova York mostram a diversidade do ecossistema que orbita a feira. A presença de uma galeria de Riade, a Errm Art Gallery, também aponta para a expansão do interesse para novos mercados.

Essa capilaridade espelha a própria trajetória da 1-54, que nasceu em Londres em 2013 e hoje conta com edições satélite em Marrakech e Nova York, consolidando-se como um circuito indispensável para colecionadores, curadores e instituições.

Ao revisitar seus pioneiros, a 1-54 parece sinalizar que a fase de "descoberta" da arte africana contemporânea pelo mercado global está dando lugar a uma fase de consolidação. O foco agora é construir narrativas mais complexas, fortalecer o cânone e, por consequência, solidificar o valor de uma categoria artística que já provou sua relevância cultural e comercial.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · ARTnews