O Instagram está fechando o cerco contra criadores que usam os óculos da Meta para filmar 'pegadinhas' e 'cantadas' em público. Segundo reportagem do Business Insider, a plataforma começou a banir contas que publicam vídeos de assédio gravados com o dispositivo. A medida foi confirmada pelo chefe do Instagram, Adam Mosseri, que declarou que a empresa não quer 'pessoas filmando outras de forma sub-reptícia e assediando-as'. Duas contas com mais de um milhão de seguidores cada já foram desativadas.

O fantasma do Google Glass

A decisão da Meta é menos sobre moderação e mais sobre a sobrevivência do produto. A empresa tenta evitar que seus óculos repitam a trajetória do Google Glass, cujo fracasso foi selado pela percepção de que seus usuários eram invasivos — os 'glassholes'. O apelido que começa a ganhar tração para o dispositivo da Meta, 'óculos pervertidos', é o tipo de associação que pode matar um produto de hardware social antes que ele atinja escala.

Hardware como fonte do problema

A Meta argumenta que os óculos possuem uma luz indicadora de gravação e que o software impede sua adulteração. Contudo, a eficácia de um pequeno LED como aviso universal é questionável. A política de banimento é o reconhecimento de que as salvaguardas técnicas são insuficientes. Ao punir o comportamento na plataforma, a Meta tenta gerenciar as externalidades negativas geradas pelo seu próprio hardware.

Para a Meta, o desafio é duplo: provar que seus óculos têm utilidade além de criar conteúdo controverso e convencer o público de que a conveniência de uma câmera no rosto não tem um custo social impagável. A briga contra os 'pickup artists' é o primeiro round.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider