Entrar no novo café Masa, em Medellín, é deparar-se com um paradoxo visual. Um vão de seis metros de altura, delimitado por duas lajes de concreto bruto, é povoado por uma improvável floresta de madeira. São 31 colunas esguias de compensado que se erguem até o teto, ritmando o espaço, filtrando a luz e guiando o olhar. A sensação não é de confinamento, mas de um espaço organizado por uma presença sutil e repetida.
O projeto do escritório Studio Cadena para a nova unidade da rede de padarias Masa na cidade colombiana é um exercício de minimalismo conceitual. Conforme detalhado em reportagem da publicação de design Dezeen, a intervenção se resume a um único gesto, mas executado com precisão e escala. As colunas não têm função estrutural; o edifício se sustenta por si só. O papel delas é outro: dar forma a uma experiência.
A floresta que não sustenta
“Elas não carregam o edifício; elas carregam o ambiente”, afirma o fundador do estúdio, Benjamin Cadena. Liberadas da função de suportar peso, as colunas são multiplicadas para estruturar o movimento e criar camadas espaciais sem a necessidade de paredes ou partições. Para Cadena, é a repetição que define a arquitetura do local. “Um movimento, repetido, faz todo o trabalho arquitetônico”, disse ele à Dezeen. A escolha do compensado de pinho sem tratamento não foi acidental. O material reflete a luz de forma difusa, emprestando um calor que contrasta com a frieza do concreto aparente da estrutura original.
A proposta é criar uma “atmosfera sem muros ou clausura”. O resultado é um espaço que parece ao mesmo tempo grandioso e íntimo. As colunas funcionam como um filtro, criando zonas de permanência sem isolá-las. Uma das laterais do salão se abre para uma área verde externa, e os pilares de madeira parecem marchar em direção à vegetação, borrando a fronteira entre o interior e o exterior e reforçando a metáfora da floresta.
Textura sobre cor
O estúdio optou por uma paleta de materiais deliberadamente restrita. Além da madeira e do concreto, apenas um balcão de mármore e detalhes em aço inoxidável compõem o cenário. A decisão, segundo Cadena, foi ser engenhoso e reduzir o design aos elementos essenciais que moldam como o espaço será usado e sentido ao longo do tempo. “Mais do que cor, a ideia era o contraste entre a estrutura existente e o que foi introduzido”, explica.
A ênfase recai sobre a textura, não sobre a tonalidade. A cor entra no ambiente de forma indireta: pela luz natural, pelos materiais, pela vegetação e, por fim, pelas pessoas que o ocupam. Na parte de trás do salão, uma janela circular oferece uma vista para a área de produção do café, um detalhe que quebra a rigidez da grade de colunas e adiciona um ponto de curiosidade e transparência.
O projeto do Masa em Medellín sugere que a arquitetura de um espaço pode ser definida não apenas pelo que se constrói, mas pelo vazio que se organiza. As colunas não preenchem o ambiente; elas dão forma e propósito ao espaço entre elas, convidando a uma pausa em meio a uma floresta que nasceu do concreto.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Dezeen





