O Moody Center for the Arts, na prestigiosa Rice University, em Houston, inaugura em setembro a exposição “Radiant Geometries: Vectors of Knowledge from the Indigenous Americas”. A mostra, que fica em cartaz até dezembro de 2026, reúne um grupo de artistas contemporâneos de origem indígena e latino-americana.

A premissa é provocadora: desafiar a noção de que ciência, matemática e tecnologia são domínios exclusivos do pensamento ocidental. A exposição propõe que esses campos do saber estão intrinsecamente ligados à arte e à metafísica nos sistemas de conhecimento das Américas, oferecendo uma perspectiva relacional em um momento de intenso debate sobre as consequências do avanço tecnológico global.

A Ciência na Abstração

A curadoria conecta as Américas do Norte, Central e do Sul, apresentando obras que vão de pinturas e esculturas a têxteis e videoarte. A linguagem da abstração serve como um fio condutor, evocando a relação simbiótica entre arte e ciência. Os vídeos de Patricia Domínguez, por exemplo, exploram a astronomia e a inteligência das plantas para conectar o espiritual e o científico. As esculturas totêmicas de Natalia Montoya Lecaros, por sua vez, baseiam-se em uma dança cerimonial Aymara que celebra os ciclos agrícolas.

Outros trabalhos materializam essa fusão de saberes. A tapeçaria de Melissa Cody funde a tradição têxtil Navajo com a estética computacional, um diálogo direto entre o ancestral e o digital. A escultura de Patrick Martinez, inspirada nos murais pré-colombianos de Cacaxtla, posiciona a arquitetura indígena como um repositório de conhecimento material e inteligência urbana. Juntas, as obras argumentam que a geometria e os padrões não são apenas estéticos, mas vetores de conhecimento.

Ao apresentar obras comissionadas que dialogam com o futuro, “Radiant Geometries” vai além de um resgate histórico. A exposição argumenta que esses saberes ancestrais são tecnologias vivas, capazes de informar e transformar o debate contemporâneo sobre nosso relacionamento com o planeta e com a própria inovação.

Com reportagem de Brazil Valley

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