A nova JPG Print Shop, em Tbilisi, capital da Geórgia, está redefinindo a relação entre espaço comercial e memória industrial. Instalada no complexo Fabrika, uma antiga fábrica da era soviética, a loja foi concebida pelo designer Sandro Kvirikadze para ser um ambiente de design gráfico, moda e cultura urbana.
A proposta não é apagar o passado, mas criar um diálogo arquitetônico. O projeto sobrepõe uma camada de design contemporâneo à estrutura original, transformando uma gráfica — que permite aos visitantes imprimir suas próprias ideias em peças de vestuário — em um manifesto sobre como o novo pode coexistir e ressignificar o antigo.
A Tensão dos Materiais
O design de Kvirikadze se apoia em um contraste deliberado. De um lado, o compensado de madeira, com seu toque quente e tátil. Do outro, o aço inoxidável, frio e tecnológico. Essa dualidade material reflete a própria natureza do projeto: a fusão entre o rigor industrial e a precisão de um objeto de design cuidadosamente construído.
Elementos estruturais, como prateleiras e sistemas de suspensão, não são meramente funcionais; eles se integram à linguagem arquitetônica do interior. Segundo reportagem da publicação de design e arquitetura Designboom, o projeto segue princípios de "Light Weight Architecture", onde a síntese dos componentes se torna parte do próprio desenho do espaço, em vez de serem tratados como elementos decorativos separados.
O Futuro que Olha para o Passado
A estética é declaradamente retrofuturista. Não se trata de uma cópia de formas históricas, mas de uma reinterpretação com materiais e funções contemporâneas. A geometria rígida das estruturas de madeira remete a princípios clássicos de arquitetura e mobiliário, mas sua execução em aço e sistemas de construção modernos as ancora no presente.
Um dos elementos centrais é um espelho de quase três metros de altura, composto por três painéis móveis. Quando fechado, ele reflete e duplica a estrutura de madeira oposta, criando continuidade visual. Quando aberto, altera a percepção do espaço, introduzindo um elemento de dinamismo e transformação que dialoga com a cultura jovem e criativa que o espaço busca atrair.
Ao invés de demolir ou esconder as marcas do tempo, a JPG Print Shop as incorpora. A antiga arquitetura soviética torna-se um fragmento da memória da cidade, enquanto as novas estruturas representam a cultura contemporânea. O resultado é um espaço onde o passado industrial não é um fantasma, mas a fundação sobre a qual o presente é impresso.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Designboom





