A Prosus, gigante de investimentos em tecnologia e controladora do iFood, está aprofundando sua aposta em inteligência artificial para o setor de restaurantes. O grupo liderou, com um cheque de US$ 1 milhão, a rodada de captação pre-seed de US$ 1,5 milhão da Emilia AI, uma startup que usa câmeras de segurança para otimizar a operação de salão. O valor restante foi complementado por investidores-anjo.
Fundada em 2024, a Emilia AI instala uma camada de software sobre o sistema de câmeras já existente no estabelecimento. A plataforma cruza imagens em tempo real com dados do sistema de ponto de venda (PDV), atuando como os “olhos do dono” para aumentar a receita e coibir perdas. O movimento sinaliza uma tese clara da Prosus: ir além da logística de delivery e entrar na gestão do restaurante.
O garçom 'aumentado' e a gestão por algoritmo
A proposta da Emilia AI se divide em duas frentes. A primeira, batizada de “Coach”, funciona como um assistente de vendas para a equipe. O sistema identifica oportunidades perdidas — a sobremesa não oferecida, a bebida que poderia ser reposta — e alerta a gestão. O objetivo declarado não é substituir o garçom, mas “aumentá-lo”, tornando-o mais eficiente e, consequentemente, elevando sua remuneração. A aposta é que, ao vender mais, o funcionário ganha mais, atacando a crônica rotatividade do setor, que supera 70% ao ano no Brasil, segundo a empresa.
A segunda frente é o “Sentinel”, um agente antifraude. Ele monitora a operação para identificar desvios, como pratos que saem da cozinha sem registro no caixa ou inconsistências no fechamento. Para a Prosus, a tese é a mesma de outros investimentos, como na Zapia: apostar em agentes de IA que executam tarefas, e não apenas respondem a comandos, gerando eficiência operacional direta.
Pilotos em redes como Alife Nino e Jin Jin, franqueada do próprio iFood, já teriam validado o modelo com retornos expressivos. Para a Prosus, o investimento é estratégico: uma solução que pode ser ofertada para toda a base de restaurantes do iFood, criando um ciclo virtuoso dentro de seu ecossistema. A questão que fica é como a tecnologia será recebida no chão de loja: como uma ferramenta de apoio ou um vigilante digital. A resposta definirá a escala dessa nova fronteira da foodtech.
Com reportagem de Brazil Valley
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