A reestruturação da General Electric sob o comando de Larry Culp está emergindo como um manual moderno de recuperação corporativa. O trabalho transformou um ícone industrial à beira do colapso em três empresas focadas e de alta performance, em um dos turnarounds mais notáveis da história recente.
Quando Culp assumiu como CEO em 2018, a GE era uma sombra de si mesma. Sua capitalização de mercado havia despencado para cerca de US$ 96 bilhões, mais de 80% abaixo de seu pico, e a companhia carregava uma dívida de aproximadamente US$ 150 bilhões. Segundo uma análise aprofundada da revista Fortune, a tese de Culp foi clara desde o início: a salvação não viria da expansão, mas da simplificação e do foco.
A disciplina do 'lean'
O pilar da estratégia de Culp foi a implementação rigorosa da gestão 'lean', um sistema de eficiência operacional inspirado no modelo de produção da Toyota e aprimorado durante sua passagem pela Danaher. Os primeiros movimentos foram pragmáticos e cirúrgicos: desalavancar o balanço, cortar custos da estrutura central e desmantelar a inchada infraestrutura da sede corporativa.
Essa abordagem representou uma ruptura com a cultura expansionista que marcou a GE por décadas. Em vez de buscar sinergias complexas dentro de um conglomerado gigante, Culp apostou em fortalecer cada unidade de negócio individualmente. A prioridade era consertar o balanço e a geração de caixa antes de qualquer outra ambição.
Foco destrava valor
Com a casa em ordem, o passo seguinte foi o desmembramento. Entre 2023 e 2024, a GE foi dividida em três companhias de capital aberto: GE HealthCare, GE Vernova (energia) e GE Aerospace. A lógica era que, separadas, cada empresa teria mais agilidade, foco e capacidade de atrair investidores interessados em seus respectivos setores.
A aposta se pagou. O valor de mercado somado das três novas entidades se aproxima de US$ 700 bilhões, com um retorno anualizado que praticamente dobrou o do índice S&P 500 no período. A GE Aerospace, que Culp agora lidera diretamente, exemplifica o sucesso: no último trimestre, a receita ajustada cresceu 24% e o fluxo de caixa livre saltou 43%, superando as expectativas do mercado.
A saga da GE sob Culp oferece uma lição contraintuitiva para uma era de busca incessante por escala. Em um mundo complexo, o caminho para a criação de valor pode estar em desmontar impérios, não em construí-los. Foco, disciplina e uma gestão obcecada por eficiência operacional se provaram mais poderosos que o tamanho.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fortune





