A Simpar, holding de transportes e logística controlada por Fernando Simões, acertou a venda de dois terminais portuários na Bahia por um enterprise value de R$ 1,8 bilhão. A compradora é a ICTSI Américas, subsidiária da gigante filipina ICTSI, uma das maiores operadoras de terminais do mundo. A notícia foi bem recebida pelo mercado, com as ações da Simpar registrando alta superior a 5% no dia do anúncio.
A transação é um movimento estratégico que cumpre um duplo objetivo: jogar luz sobre o valor represado nos ativos de infraestrutura do grupo e, principalmente, acelerar o processo de desalavancagem da companhia. A venda do CS Porto Aratu não é um fato isolado, mas a mais recente execução de uma tese de investimento que se prova cada vez mais eficaz: a reciclagem de capital.
A tese da reciclagem de capital
O racional da Simpar é claro e disciplinado. A companhia adquiriu a concessão dos terminais ATU12 e ATU18 em 2020. Nos anos seguintes, investiu cerca de R$ 900 milhões na modernização e expansão da capacidade, que foi multiplicada por cinco. Agora, com o ativo maturado e operacionalmente robusto, realiza o desinvestimento com um retorno expressivo.
Segundo a empresa, o capital próprio investido no projeto foi de apenas R$ 128 milhões, e a venda gera um múltiplo sobre o capital investido (MOIC) de 5,8 vezes em um prazo médio de 3,6 anos. Conforme apontou o BTG Pactual em relatório, o movimento é “assertivo” por “cristalizar o valor dos ativos maduros”. Esta é a terceira operação de reciclagem de portfólio da Simpar em menos de dois anos, seguindo as vendas da Ciclus Rio e de uma fatia na Ciclus Amazônia, consolidando um playbook de geração de valor.
O xadrez da alavancagem
Do valor total da transação, R$ 1 bilhão corresponde à assunção de dívidas pela compradora, enquanto R$ 800 milhões são pagos pelo equity. O efeito no balanço é direto e significativo. Analistas estimam que a dívida líquida da holding cairá de R$ 2,8 bilhões para R$ 2 bilhões, e a alavancagem consolidada do grupo, que estava em 3 vezes o EBITDA, deve recuar para 2,7 vezes.
Para a ICTSI, a aquisição representa a entrada em um ativo estratégico que atende o corredor agrícola do Matopiba, uma das fronteiras de maior crescimento do agronegócio brasileiro. A gigante filipina, que já opera um terminal no Rio de Janeiro, reforça sua aposta no Brasil e se posiciona em uma peça-chave da logística de exportação de grãos.
A operação da Simpar é um sinal duplo para o mercado. Internamente, demonstra a capacidade da gestão de executar uma estratégia complexa de alocação de capital. Para o setor, evidencia o apetite de players globais por ativos de infraestrutura de qualidade no Brasil, especialmente aqueles conectados a cadeias produtivas resilientes como o agro. A questão que fica é qual será o próximo ativo a entrar no ciclo de reciclagem da holding.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Brasil Journal Tech





