Em análise recente sobre o ecossistema de infraestrutura tecnológica, o investidor Gavin Baker argumentou que o futuro imediato da SpaceX, recém-chegada ao mercado público, dependerá menos de marcos interplanetários e mais de sua capacidade de operar como uma "fábrica de tokens". Segundo Baker, o mercado deve focar na velocidade com que a empresa consegue ativar capacidade computacional terrestre, apontando que a companhia já monetiza energia a uma taxa de cerca de US$ 50 bilhões por gigawatt, citando dados de um acordo com o Google.
A matemática da computação orbital e o mercado de tokens
A viabilidade econômica de transferir data centers para o espaço foi um dos pontos centrais da tese matemática de Baker. Ele comparou os custos de infraestrutura: enquanto ativar um gigawatt de capacidade terrestre custa cerca de US$ 60 bilhões — dos quais US$ 25 bilhões são consumidos apenas por energia e refrigeração —, a infraestrutura orbital contorna essa pressão inflacionária. Com a reutilização do foguete Starship, cujo custo de lançamento ele estima em US$ 5 bilhões, seria possível colocar o equivalente a um gigawatt de equipamento de TI (US$ 25 bilhões) no espaço por um total de US$ 30 bilhões.
Além da infraestrutura física, Baker destacou o papel de ferramentas de inteligência artificial focadas em código, mencionando que o Cursor já está presente em metade das empresas da Fortune 500, como um segundo vetor de crescimento de curto prazo. Nesse cenário, ele avalia que atuar puramente como uma "fábrica de tokens" será um modelo de negócios mais do que suficiente para a companhia pelos próximos cinco a dez anos, sem a necessidade imediata de construir serviços em nuvem tradicionais. Para contexto editorial, a BrazilValley aponta que a transformação da capacidade bruta de inferência em uma utilidade pura reflete uma mudança estrutural no mercado, onde o processamento de inteligência artificial passa a ser precificado e consumido de forma análoga à distribuição de energia.
O dilema da Meta e a limitação da IA soberana
A análise também contrastou a execução da SpaceX com a estratégia de outras gigantes. Baker notou que o múltiplo de valor de firma (EV) sobre ativos imobilizados (PP&E) da Meta sugere um ceticismo agudo do mercado quanto à capacidade da empresa de monetizar sua própria base de ativos de inteligência artificial. No entanto, ele elogiou a flexibilidade de Mark Zuckerberg, lembrando que a Meta rapidamente alterou seu discurso público no passado sobre a possibilidade de monetizar suas GPUs externamente.
Expandindo para o cenário geopolítico, Baker argumentou que estratégias de "IA soberana" para a maioria dos países — com exceção de Estados Unidos e China — se limitarão ao ajuste fino (fine-tuning) e aprendizado por reforço aplicados sobre modelos de código aberto existentes, rodando em data centers locais por questões de defesa e inteligência. Ele afirmou ainda que a China corre o risco de ficar cada vez mais para trás, dada a sua dependência de técnicas de destilação de modelos ocidentais a partir de múltiplas APIs e a crença incorreta de que chips domésticos seriam suficientes para substituir hardwares restritos no nível de fronteira.
A tese de Baker consolida a visão de que a infraestrutura física tornou-se o principal vetor de valor na nova economia. Se a companhia de Elon Musk conseguir escalar a ativação de gigawatts terrestres e viabilizar a computação orbital, ela poderá transcender seu papel aeroespacial. Aliado a isso, Baker ressaltou a força atual do investidor de varejo — que, segundo ele, tem superado gestores profissionais — e o fato de que mais de 10.000 funcionários da SpaceX compraram ações no IPO, criando uma dinâmica de mercado singular para a empresa que ele considera ter potencial para ser a mais importante da história.
Fonte · Brazil Valley | Finance




