A Salewa, marca histórica de equipamentos alpinos, está propondo uma nova narrativa para o montanhismo. Em uma expedição aos Alpes de Zillertal, na Áustria, para testar sua nova coleção Outono/Inverno 2026/27, a empresa reuniu um grupo de influenciadores e montanhistas, incluindo a fotógrafa luso-britânica Dani Monteiro. A iniciativa, segundo reportagem da publicação Highsnobiety, serviu como um laboratório para uma tese de negócio.

O movimento desafia a percepção clássica do montanhismo como uma atividade de elite, predominantemente masculina e solitária. A aposta da Salewa é que o futuro do esporte reside tanto na superação individual quanto na conexão humana e na expressão criativa. Trata-se de um posicionamento estratégico que busca capturar uma nova geração de entusiastas da montanha, que valorizam a experiência tanto quanto o cume.

Para além do 'gorpcore'

O mercado de vestuário de performance vive a febre do 'gorpcore', a tendência de usar roupas técnicas de outdoor em contextos urbanos. A Salewa, no entanto, parece trilhar um caminho distinto. Fundada em 1935 e profundamente associada à cultura de escalada das Dolomitas, na Itália, a marca reforça sua identidade baseada em autenticidade e desempenho real, não apenas em estética.

A expedição ao pico Schwarzenstein, com seus 2.000 metros de ganho de elevação, foi um teste genuíno de equipamento e resistência, não um ensaio fotográfico de moda. Ao colocar criativos como Monteiro em um ambiente de alta exigência, a Salewa sinaliza que seus produtos são feitos para o uso severo, mas que o universo da montanha é suficientemente amplo para abrigar também a arte e a introspecção.

A jornada como destino

O valor da expedição, na visão promovida pela marca, não estava apenas na conquista do topo, mas nos momentos compartilhados durante o percurso. A experiência de Monteiro, que precisou equilibrar o desafio físico com o trabalho de fotografia, ilustra essa dualidade. “Estar tão alto nas Dolomitas foi mágico”, disse ela à publicação. “Você se sente no topo do mundo, sente orgulho e um incrível espírito de equipe com as pessoas com quem conquistou aquilo.”

Essa ênfase na jornada é o que a Salewa parece querer “engarrafar” e vender. Momentos como a dificuldade de dormir em alta altitude sob uma lua cheia intensa, descritos pela fotógrafa, tornam-se parte central do produto. A experiência deixa de ser apenas sobre a performance do equipamento e passa a ser sobre a criação de memórias e o fortalecimento de laços.

Para a marca, o retorno sobre o investimento não está apenas em validar a tecnicalidade de suas jaquetas e botas, mas em consolidar-se como um facilitador de experiências transformadoras. Em um mercado saturado, a comunidade e o propósito podem se tornar o diferencial mais difícil de replicar.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Highsnobiety